Os Rolling Stones chegam ao 25º álbum de estúdio sem sinal de desgaste criativo. Em vez de repetir a fórmula que os consagrou, a banda volta a circular por diferentes linguagens do rock com segurança, como se ainda estivesse interessada em provar que o velho conjunto de guitarras, baixo e bateria continua com muito a dizer.
O disco mantém o impulso de renovação visto em Hackney Diamonds, lançado em 2023, e aposta em uma combinação que sempre funcionou para o grupo: blues pesado, melodias mais abertas e passagens que deixam espaço para o lado mais sensível da formação. Keith Richards, em especial, surge com uma entrega que chama atenção pela delicadeza em meio à aspereza habitual da banda.
Já Mick Jagger usa a faixa vocal e a presença cênica para mirar temas que extrapolam o entretenimento. Há observações sobre guerra, poder e figuras associadas ao autoritarismo, num momento em que o vocalista parece menos interessado em pose e mais disposto a cutucar o cenário político e cultural ao redor.
O resultado é um álbum que confirma a longevidade dos Stones por um motivo simples: eles não soam presos à própria lenda. Em vez de viver de nostalgia, o grupo entrega um trabalho que ainda bate forte, muda de ritmo quando precisa e mostra que a fase tardia da banda pode ser, também, uma das mais inventivas.