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Satira feroz: 'Our Hero, Balthazar' expõe a hipocrisia dos ativistas de internet

Redação Recifes
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Satira feroz: 'Our Hero, Balthazar' expõe a hipocrisia dos ativistas de internet

Há filmes que incomodam porque erram — e há filmes que incomodam porque acertam em cheio. Our Hero, Balthazar pertence à segunda categoria. Dirigido por Oscar Boyson, produtor de longa data dos irmãos Safdie (Uncut Gems, Good Time), o longa chega carregando o DNA daquela escola nova-iorquina de cinema que prefere rasgar as convenções a afagá-las. O resultado é uma sátira ácida, desconfortável e estranhamente hilária sobre a farsa do ativismo digital e os abismos da masculinidade em crise.

No centro da trama está Balthazar, um jovem rico de Manhattan interpretado por Jaeden Martell com uma entrega perturbadora. Ele não é um herói — o título é, claro, irônico. Seu passatempo favorito consiste em gravar vídeos chorosos em que simula luto e indignação diante da epidemia de violência armada que assola os Estados Unidos. Sem nunca ter sido tocado de perto por qualquer tragédia, ele performa a dor alheia com precisão cirúrgica, colhendo curtidas, seguidores e uma sensação de pertencimento que a vida real jamais lhe ofereceu. É o retrato cruel de uma geração que aprendeu a monetizar a empatia — ou sua simulação.

A virada narrativa vem quando Balthazar cruza o caminho de um troll virtual, e os dois estabelecem uma amizade carregada de tensão homoerótica que o roteiro explora sem nunca resolver de forma limpa. Boyson parece deliberadamente interessado em manter o espectador sem chão firme: não há redenção fácil, nem vilão convencional. Ambos os personagens habitam zonas cinzentas morais que o filme se recusa a iluminar demais — e é justamente aí que reside sua força.

Tecnicamente, a direção de Boyson revela a influência de seus anos ao lado dos Safdie: câmera próxima, montagem nervosa, uma energia que mistura realismo documental com o absurdo do teatro do grotesco. A trilha sonora reforça o desconcerto, e Martell carrega cada cena com uma ambiguidade que poucos atores de sua geração conseguiriam sustentar. O filme não teme o silêncio nem o exagero — navega entre os dois com consistência surpreendente para uma estreia na direção.

Our Hero, Balthazar não é um filme fácil de amar, mas é difícil de ignorar. Em tempos em que a internet fabrica heróis e mártires com a velocidade de um algoritmo, Boyson entrega uma obra que questiona quem realmente chora pelas vítimas — e quem apenas ensaia o choro na frente de uma câmera. Vale o desconforto.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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