Enfrentar o adoecimento no trabalho pode ser uma das alavancas mais eficazes para liberar crescimento econômico que hoje fica travado, segundo o ex-chefe da John Lewis. A tese parte de uma ideia simples: quando faltas, afastamentos e baixa saúde ocupacional se acumulam, empresas perdem ritmo, inovação e capacidade de atendimento.
O movimento ganhou força com a adesão de mais de 250 das maiores companhias do Reino Unido à iniciativa "Get Britain Working", criada para aproximar empregadores de soluções práticas voltadas à permanência das pessoas no mercado. A meta não é apenas reduzir ausências, mas criar condições para que mais trabalhadores permaneçam produtivos por mais tempo.
Na avaliação do executivo, o custo da doença no ambiente corporativo vai além da folha de pagamento. Ele aparece em equipes desfalcadas, metas adiadas, pressão sobre colegas e perda de eficiência em cadeia. Em setores que dependem de presença física, como varejo, logística e serviços, o impacto tende a ser ainda mais visível.
O recado para empresas e governos é que saúde ocupacional deixou de ser um tema lateral de recursos humanos. Tratar o problema com prevenção, apoio médico, flexibilidade e gestão mais humana pode render ganhos concretos de produtividade. Em um cenário de crescimento fraco, cuidar de quem trabalha pode ser menos uma despesa e mais uma estratégia econômica.