À beira da BR-174, em Pacaraima, no extremo norte de Roraima, barracas improvisadas viraram abrigo para dezenas de famílias venezuelanas que chegaram à fronteira sem condições de seguir viagem. Sem dinheiro e com poucas alternativas, elas transformaram o acostamento da rodovia em um ponto de permanência forçada, onde tentam atravessar o dia com alguma segurança e alimentação.
Entre os relatos mais marcantes está o de Angélia Aguilera, de 18 anos, que vive no local com o filho de 2 anos. Como muitas outras pessoas ali, ela conta que a falta de renda e a impossibilidade de pagar moradia fazem do acampamento a única opção imediata. No improviso, a barraca substitui a casa; na incerteza, a comida distribuída no entorno aparece como alívio concreto para quem já esgotou as próprias reservas.
O cenário expõe uma rotina dura, marcada pela exposição ao frio, pela precariedade e pela dependência de ajuda externa. Para quem está na rua, cada noite traz o risco de dormir sem proteção suficiente, especialmente para crianças pequenas e idosos. Ainda assim, os abrigos improvisados seguem se multiplicando, formando uma ocupação espontânea às margens da rodovia.
Segundo a prefeitura de Pacaraima, a cidade convive com uma média de 1,5 mil imigrantes em situação de rua, o que representa cerca de 22% da população local. O dado ajuda a dimensionar a pressão humanitária sobre o município, que se tornou uma das principais portas de entrada da migração venezuelana para o Brasil e hoje lida com desafios que vão muito além da travessia da fronteira.