A última semana deixou claro que o apetite por inteligência artificial continua vivo, mas o mercado está menos disposto a comprar promessas genéricas. Micron, Qualcomm e ON Semiconductor entregaram mensagens diferentes ao investidor, e a reação em bolsa mostrou que, em semicondutores, não basta estar no tema certo: é preciso provar lucro, escala e direção.
A Micron foi o nome mais celebrado do grupo ao apresentar resultados trimestrais bem acima do esperado, com salto forte no lucro e receita sustentada pela demanda por memória usada em servidores de IA. A companhia também reforçou projeções para o próximo período, sinalizando que a oferta apertada segue favorecendo preços e margens no segmento.
A Qualcomm tentou ampliar a leitura sobre seu futuro. Em vez de depender quase exclusivamente de smartphones, a fabricante elevou sua meta de receita fora do negócio de aparelhos para 2029 e destacou acordos ligados a data centers, com Meta e Microsoft como exemplos da nova frente de crescimento. A estratégia é clara: transformar a IA em motor de diversificação, e não apenas em argumento de marketing.
Já a ON Semiconductor mostrou o outro lado da moeda. A empresa anunciou a compra da Synaptics por cerca de US$ 7 bilhões para reforçar sua presença em 'physical AI', mas o mercado reagiu mal e empurrou as ações para baixo. A leitura dominante é que aquisições só ajudam quando deixam a tese mais simples, e não mais confusa. No fim, a semana resumiu bem o momento do setor: a IA segue como principal vetor de valorização, mas a régua para escolher vencedores ficou mais alta.