Se você usa o Google no dia a dia, existe uma boa chance de estar contribuindo, mesmo sem perceber, para o treinamento de inteligência artificial da empresa. Uma atualização recente nas configurações de privacidade trouxe isso de forma mais clara — e mais ampla também.
Segundo o TechCrunch, o Google passou a incluir novos tipos de dados nesse processo, incluindo mídias como imagens, áudios e vídeos.
Usuários podem estar contribuindo com dados para IA do Google sem perceber após nova mudança nas configurações. – Imagem: @Freepik/Freepik
O que entra nessa nova coleta de dados
A mudança foi enviada aos usuários por e-mail em junho e mexe diretamente na forma como o histórico de atividades é tratado dentro dos serviços do Google.
E aqui não estamos falando só de buscas. O escopo ficou maior.
Na prática, qualquer interação dentro do ecossistema pode entrar nesse fluxo de dados usado para melhorar sistemas de IA.
Entre os serviços impactados estão:
Google Lens (busca por imagem, fotos e câmera)
Google Maps e ferramentas de localização
Google Shopping e Notícias
Pesquisas por voz no aplicativo do Google
Fotos, vídeos e gravações de voz podem ser armazenados pelo Google para aprimorar modelos de inteligência artificial. – Imagem: BrianAJackson/iStock
O que muda para o usuário na prática
O Google criou duas novas opções de controle: “Histórico de Serviços de Pesquisa” e “Recomendações Personalizadas”. Elas definem como seus dados são armazenados e usados na personalização da experiência.
Mas tem um ponto que chama atenção. Não é só texto ou histórico simples. Fotos, vídeos e gravações de áudio também entram nessa equação.
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Uma imagem enviada no Lens, por exemplo. Ou uma pesquisa por voz. Tudo isso pode ser armazenado e reutilizado no treinamento de IA.
O TechCrunch observa que essa prática acompanha um movimento mais amplo da indústria — empresas estão cada vez mais usando dados reais de usuários para treinar modelos de inteligência artificial.
Como o usuário pode controlar isso
Apesar da mudança, o Google não removeu as opções de controle. Dá para ajustar — ou até desligar parte desse uso — direto nas configurações da conta.
O usuário pode escolher quanto tempo os dados ficam armazenados e também limitar o uso de mídias para treinamento.
Desative “Salvar Mídias” nas configurações de pesquisaImpede que fotos, vídeos e áudios sejam armazenados e usados no treinamento de IA.
Ajuste o “Histórico de Serviços de Pesquisa”Reduz o uso das suas buscas e atividades na personalização e no treino de sistemas.
Controle o tempo de retenção dos dadosDefine por quanto tempo suas informações ficam salvas, diminuindo o volume de dados coletados.
Gerencie “Atividade na Web e de Apps” separadamenteLimita o registro geral do seu uso nos serviços do Google.
Desative “Recomendações Personalizadas”Evita que seu comportamento seja usado para ajustar sugestões e melhorar sistemas de IA.
Configurações de privacidade do Google agora permitem maior controle sobre uso de dados pessoais. – Imagem: babar ali 1233/Shutterstock
Uma mudança silenciosa, mas com efeito real
O Google também reorganizou suas configurações: o histórico de buscas agora aparece separado das demais atividades. E isso muda a forma como o controle de privacidade funciona na prática.
A ideia é melhorar os modelos de IA com dados reais de uso. Mas há um detalhe importante — nem todo mundo vai perceber que isso mudou.
E esse talvez seja o ponto central da discussão. A coleta não é nova, mas ficou mais abrangente, mais integrada ao uso diário. E menos visível também. O post Seus dados no Google agora podem treinar inteligência artificial. Saiba como evitar apareceu primeiro em Olhar Digital.