A Severn Trent decidiu aumentar de forma expressiva o pacote de incentivo de longo prazo do novo diretor-presidente, James Jesic, em uma mudança que pode levar sua remuneração total potencial a até £3,1 milhões. Na prática, o plano passa de 200% para 400% do salário-base, elevando o teto do prêmio ligado ao desempenho.
A decisão chama atenção porque pode fazer Jesic ganhar consideravelmente mais do que sua antecessora, Liv Garfield, em um momento em que os salários de executivos de empresas de água seguem sob forte escrutínio no Reino Unido. O setor enfrenta críticas recorrentes por tarifas, dividendos, desempenho operacional e falhas ambientais.
Ao ampliar o pacote do novo CEO, a companhia sinaliza que quer reforçar a disputa por liderança executiva em um mercado altamente pressionado por regulações e por cobrança pública. Ao mesmo tempo, a medida tende a alimentar o desconforto entre consumidores e grupos de interesse, que veem com desconfiança aumentos robustos na remuneração do topo da hierarquia.
O caso expõe um dilema frequente na governança corporativa: como atrair e reter executivos em funções complexas sem ampliar a percepção de distanciamento entre a alta direção e os clientes. No setor de água, em especial, qualquer ajuste de remuneração costuma ser lido não apenas como decisão de RH, mas como teste de legitimidade pública.