Antes mesmo do balanço do segundo trimestre de 2026, a Natura (NATU3) preferiu preparar o mercado para os números que serão divulgados no dia 10 de agosto. O grupo de cosméticos já adiantou que deve haver uma queda de 10% na receita líquida em relação ao mesmo período do ano passado, o que fez o Itaú BBA e o Bradesco BBI a cortarem a recomendação de compra para neutra.
O motivo apontado pelos analistas do Itaú BBA é um pessimismo em relação à recuperação da receita, que deve levar mais tempo do que previsto anteriormente.
“A Natura Brasil continua sendo, de longe, a principal geradora de lucro e caixa do grupo, tornando difícil ignorar essa desaceleração”, afirmam em relação ao alerta de queda da receita feito pela Natura nesta semana.
Já para o Bradesco BBI, a revisão da recomendação reflete uma combinação de desafios operacionais e menor previsibilidade dos resultados, fatores que têm afetado a confiança dos investidores.
“Entre os principais pontos de atenção estão a fraqueza contínua das marcas Avon e Casa & Estilo, o desempenho aquém do esperado da Natura Brasil, pressões sobre capital de giro, nível de endividamento ainda elevado e a limitação dos ganhos adicionais provenientes de iniciativas de redução de despesas”, pondera o Bradesco BBI.
Ainda que tenham cortado a recomendação de NATU3, os dois bancos mantiveram o preço-alvo de R$ 10 para os papéis. Com base no último fechamento (9), o potencial de alta é de até 18,20%.
Cenário para recuperação ainda está nebuloso
Para o BBI, a visibilidade sobre a recuperação dos resultados segue reduzida e o momento exige cautela até que surjam evidências mais concretas de estabilização das vendas e retomada sustentável da rentabilidade.
“Apesar da força das marcas, da posição de liderança em diversos segmentos e do histórico de boa geração de caixa, a companhia ainda precisa demonstrar maior consistência na execução de seu plano de recuperação”, destacam.
Além disso, o ambiente de juros elevados aumenta o risco do endividamento e pode continuar pressionando o resultado financeiro nos próximos trimestres.
Já o BBA reforça que a discrepância entre o ganho de participação de mercado nas vendas ao consumidor final (sell-out) e a persistente fraqueza das vendas para consultoras e canais de distribuição (sell-in) segue sem solução.
Outro fator de risco para os analistas é o planejamento de demanda e gestão de portfólio de produtos. “São problemas mais relevantes do que imaginávamos inicialmente”, afirmam.
De acordo com os analistas, a concorrência de canais alternativos, como a entrada no TikTok Shop, Mercado Livre e Shopee, continua se intensificando e oferece às consultoras mais opções para direcionar esforços comerciais.
O alerta feito pela Natura
Na última quarta (8), a Natura anunciou dados preliminares do segundo trimestre de 2026, indicando uma queda de até 10% na receita líquida em relação ao 2T25, com valores entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões.
De acordo com a empresa, o ambiente de consumo fraco no Brasil se juntou a desafios e ajustes operacionais internos que devem pressionar essa linha do balanço de forma mais intensa do que o esperado.
O que está acontecendo com a empresa
Um dos principais fatores por trás do desempenho mais fraco foi a escassez de produtos, provocada por mudanças em sistemas e processos logísticos que a companhia vem implementando.
A Natura está reorganizando sua operação com um novo sistema de produção e estoques, a atualização do SAP – software que integra áreas como logística, vendas e produção – e a redistribuição da produção após o fechamento da fábrica de Interlagos.
A falta de produtos, somada ao cenário macroeconômico desafiador, também derrubou o volume de vendas das consultoras. Como consequência, houve uma redução na atividade e na produtividade dessas parceiras.
A companhia revisou sua política de preços e as regras entre os diferentes canais de venda para preparar uma nova etapa de crescimento dos canais diretos ao consumidor, como o e-commerce.
No curto prazo, porém, a transição acabou reduzindo o ritmo das vendas online.
Outra iniciativa foi a substituição de todos os contratos de franquia por um novo modelo baseado nas vendas efetivamente realizadas pelas lojas aos consumidores. Durante essa mudança, as franquias reduziram seus estoques temporariamente, também impactando as vendas desses estabelecimentos ao longo do trimestre.
A companhia também cita um efeito tributário temporário relacionado a mudanças nas regras do ICMS-ST no estado de São Paulo, que concentrou impactos negativos no segundo trimestre de 2026.
Para reverter o cenário, a Natura afirma que tem adotado medidas para recuperar o desempenho no Brasil. Entre elas estão a reorganização da cadeia de abastecimento, com ajustes na produção, nos fornecedores, no fluxo de materiais e nos sistemas utilizados pela companhia, além de mudanças nos incentivos às consultoras para estimular as vendas.
*Com informações do Money Times The post Sinal vermelho da Natura (NATU3) no 2T26 leva Itaú BBA e Bradesco BBI a cortarem a recomendação de compra; o que está acontecendo? appeared first on Seu Dinheiro.