A SpaceX colocou em órbita uma missão que pode mudar a forma como satélites são mantidos no espaço. O projeto MRV-MEP leva um veículo robótico com braços de 3 metros para instalar equipamentos capazes de prolongar a operação de outros satélites.
A tecnologia será usada inicialmente por empresas como Optus e Intelsat, que poderão ganhar mais tempo de uso para equipamentos já posicionados na órbita da Terra.
Robô espacial vai atuar como “mecânico” orbital
O Falcon 9 decolou da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, às 17h15 (horário local), transportando o Veículo Robótico de Missão (MRV) e três Módulos de Extensão de Missão (MEPs).
A operação, sob responsabilidade da SpaceLogistics, subsidiária da Northrop Grumman, tem como destino a órbita geoestacionária, localizada a cerca de 35.786 quilômetros da Terra, onde ficam muitos satélites usados para comunicação, previsão do tempo e observação.
O MRV possui dois braços robóticos desenvolvidos pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos (NRL). Eles serão usados para capturar os MEPs e instalá-los em três satélites diferentes.
Segundo a Northrop Grumman, os módulos utilizam propulsão elétrica para ajudar no controle orbital e podem oferecer até oito anos adicionais de funcionamento para um satélite de aproximadamente 2 toneladas.
Nova tecnologia promete ampliar vida útil dos satélites
A missão inaugura uma nova estratégia para evitar a troca completa de equipamentos no espaço. Os primeiros módulos lançados serão destinados a clientes específicos:
- A operadora australiana Optus contratou um dos módulos;
- A Intelsat utilizará os outros dois equipamentos;
- O MRV continuará disponível para futuras operações;
- O veículo poderá realizar inspeções, reparos e atualizações.
O funcionamento é semelhante a um serviço de manutenção: o robô transportará cada módulo até o satélite escolhido, fará a instalação e seguirá preparado para novas tarefas.
Além da instalação dos MEPs, o MRV foi desenvolvido para realizar inspeções, reparos, movimentações e atualizações de satélites enquanto permanece no espaço.
SpaceX amplia histórico de serviços espaciais
A Northrop Grumman já realizou operações semelhantes com os projetos MEV-1 e MEV-2, que conseguiram se conectar a satélites da Intelsat para ampliar seu tempo de funcionamento.
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A diferença agora é que o MRV-MEP utiliza módulos independentes. Nas missões anteriores, o próprio veículo de serviço permanecia conectado ao satélite atendido.
O lançamento também marcou uma exceção na rotina da SpaceX. O primeiro estágio do Falcon 9 não realizou pouso após a missão. Segundo a empresa, isso ocorreu porque o voo exigiu mais desempenho para transportar os equipamentos até a órbita de transferência geoestacionária.
Esse foi o 32º e último voo desse propulsor específico, que já havia participado de missões Starlink, OneWeb e lançamentos de satélites de comunicação.
Com o MRV-MEP, a indústria espacial aposta em uma solução mais prática: manter satélites funcionando por mais tempo, reduzindo a necessidade de substituir equipamentos inteiros que já estão no espaço.
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