Lançar foguetes é apenas o cartão de visitas. O verdadeiro valor da SpaceX (SPCX) está na Terra — e na nuvem. Após o BTG Pactual dar o pontapé inicial, Citi, Morgan Stanley e Bank of America (BofA) entraram na mesma rota de otimismo, iniciando a cobertura dos papéis da companhia de Elon Musk com recomendação unânime de compra.
O consenso entre os analistas é que a SpaceX deixou de ser apenas uma empresa de foguetes para se transformar na infraestrutura fundamental da economia do futuro.
No entanto, quando o assunto é o tamanho do ganho e o preço-alvo das ações, cada banco calibrou seus computadores de bordo em uma altitude diferente.
Vale lembrar que no mercado brasileiro, o investidor pessoa física também pode participar dessa jornada espacial. A companhia está listada em Nova York, mas conta com recibos de ações negociados na B3 sob o ticker SPCX34.
A vantagem competitiva da SpaceX
O grande motor que impulsiona o otimismo dos analistas é a vantagem econômica da SpaceX. Ao reutilizar partes de seus sistemas de lançamento, a empresa opera com custos drasticamente menores que qualquer concorrente.
De acordo com o Bank of America, a SpaceX possui uma capacidade única de transformar operações de lançamento e manufatura em negócios de aplicações recorrentes e líderes de mercado.
Para o Citi, os próximos dois a três anos serão repletos de gatilhos de valorização para a ação SPCX, e a grande estrela desse movimento é o Starship.
O veículo de nova geração da empresa possui um sistema 100% reutilizável e promete uma revolução.
"O Starship pode baratear em cerca de 99% o custo de acesso à órbita em relação ao padrão histórico da indústria", dizem os analistas do Citi.
O sucesso do Starship deve destravar o potencial econômico do espaço, abrindo as portas para mercados que movimentam cifras na casa dos trilhões de dólares — territórios que nenhuma outra empresa consegue explorar de forma realista hoje.
O BTG Pactual compartilha dessa visão e destaca que a distância entre a empresa de Musk e o resto do mundo só aumenta.
Segundo o banco brasileiro, mesmo que um concorrente conseguisse desenvolver um primeiro estágio reutilizável hoje, ele ainda estaria pelo menos uma década atrás da SpaceX em experiência operacional, manutenção, aprendizado com falhas e otimização da cadeia de fornecedores.
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Combo poderoso: Espaço, IA e Starlink
Se os lançamentos impressionam, o Morgan Stanley enxerga o diferencial na combinação de mercados multibilionários sob o mesmo teto.
Adam Jonas, estrategista de inteligência artificial e robótica do banco, destaca que a SpaceX une três pilares únicos: perfil de lançamentos quase monopolista; a maior rede mundial de satélites em órbita baixa (Starlink) e um negócio de infraestrutura de IA em rápida ascensão.
Na visão de Jonas, a companhia une ativos em órbita, conectividade global e capacidade computacional em uma infraestrutura.
Para os investidores que desejam acompanhar de perto o desempenho do papel, o estrategista recomenda monitorar quatro indicadores-chave (KPIs): a receita por watt, o custo por watt, o custo por quilo colocado em órbita e o número de assinantes conectados da Starlink.
Quanto pode valer a ação?
Apesar do otimismo generalizado, as projeções de preço-alvo para o fim de 2026 e próximos 12 meses variam de acordo com as premissas de cada casa.
O Morgan Stanley fixou o preço-alvo em US$ 300. Contudo, o banco trabalha com uma faixa ampla de cenários devido às incertezas do negócio.
No pior cenário (pessimista), a ação poderia cair para US$ 75, enquanto no melhor cenário (otimista), os papéis poderiam atingir uma propulsão de até US$ 600.
O Bank of America projetou preço-alvo de US$ 235, enquanto o BTG Pactual estabeleceu o preço-alvo de US$ 225 em 12 meses.
Já o Citi iniciou a cobertura com alvo de US$ 200, mas ponderou que este é apenas um marco inicial. Para o banco, um patamar de US$ 900 ou mais se tornará realista assim que conquistas importantes de engenharia forem demonstradas em escala.
Turbulência na estreia do Nasdaq 100
Apesar das teses de longo prazo serem robustas, o curto prazo da SpaceX na bolsa é mercado pela volatilidade típica do mercado de capitais.
Na terça-feira (7), no mesmo dia em que passou a integrar o índice Nasdaq 100, a SpaceX registrou uma queda de 6,8%, fechando cotada a US$ 149,47.
Com o recuo, o preço de fechamento ficou ligeiramente abaixo dos US$ 150 registrados em 12 de junho, data em que as ações começaram a ser negociadas após o IPO.
Para os investidores de longo prazo, segundo analistas, a oscilação pode ser apenas o ajuste de rota inicial de um foguete que mira as estrelas.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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