A decisão da Anatel de abrir caminho para serviços de comunicação direta entre satélites e celulares representa um dos maiores avanços recentes nas telecomunicações brasileiras.
A medida permite a utilização de frequências voltadas à tecnologia Direct-to-Device (D2D), criando as bases regulatórias para que empresas como a Starlink possam oferecer cobertura diretamente para smartphones compatíveis, sem a necessidade de antenas parabólicas instaladas.
Muitos podem pensar que isso significa que qualquer pessoa poderá abandonar as operadoras tradicionais, mas a resposta é mais complexa. Confira abaixo o que realmente muda:
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O que a Anatel aprovou?
A agência não autorizou imediatamente um serviço comercial, como a Starlink, mas atualizou a regulamentação para permitir o uso de faixas de radiofrequência destinadas à comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis.
Essa mudança abre caminho para pedidos de operação de tecnologias como o Starlink Direct to Cell.
O celular vai se conectar direto ao satélite?
Sim. A proposta é que smartphones compatíveis utilizem sua própria antena 4G LTE para se comunicar diretamente com satélites de baixa órbita, sem necessidade de instalar a tradicional antena residencial da Starlink.
Os satélites funcionam como verdadeiras torres de celular no espaço.
Vou poder cancelar meu plano de celular?
Ainda não. Pelo menos no início, a tecnologia deve funcionar como uma cobertura complementar, entrando em ação quando não houver sinal das redes móveis terrestres.
O serviço continuará dependendo de acordos entre a Starlink e operadoras brasileiras, além das autorizações regulatórias necessárias.
A internet será igual ao 5G?
Não, as primeiras gerações da tecnologia priorizam conectividade básica. Em muitos mercados, o foco inicial é permitir envio e recebimento de mensagens, localização e chamadas de emergência.
O suporte para dados móveis mais rápidos deve chegar de forma gradual conforme a capacidade da rede evoluir.
Quais frequências entram nessa mudança?
A Anatel passou a permitir a destinação de faixas específicas para comunicações via satélite, incluindo bandas utilizadas em enlaces de subida e descida entre satélites e estações terrestres, criando o ambiente regulatório necessário para operações Direct-to-Device.
Entre elas estão faixas como 12,7–13,25 GHz, 13,75–14 GHz, 14,5–14,8 GHz, 17,7–20,2 GHz, 29,1–29,5 GHz e outras previstas na consulta pública sobre a expansão da Starlink no Brasil.
Essas frequências são diferentes das bandas de 4G e 5G usadas pelos celulares; o smartphone continua utilizando seu modem LTE, enquanto os satélites operam em espectros próprios autorizados pela agência.
Todos os celulares serão compatíveis?
Não, apenas aparelhos que possuam suporte à tecnologia Direct to Cell poderão utilizar o serviço. Diversos modelos recentes já foram preparados pelos fabricantes para essa função, mas celulares antigos ficarão de fora.
Quem mais deve se beneficiar?
Os maiores beneficiados serão moradores de áreas rurais, comunidades isoladas, motoristas em rodovias, embarcações, trilhas e regiões onde hoje não existe cobertura de telefonia móvel.
Em vez de substituir as redes celulares tradicionais, a tecnologia funcionará como uma extensão delas, reduzindo as chamadas "áreas de sombra".
Quando o serviço começa no Brasil?
Ainda não existe uma data oficial. A decisão da Anatel representa um passo regulatório importante, mas a oferta comercial ainda depende da aprovação definitiva dos pedidos das operadoras, da coordenação das frequências e da assinatura de acordos com empresas de telefonia.
O caminho foi aberto, mas ainda há etapas técnicas e regulatórias antes que brasileiros possam usar o celular conectado diretamente aos satélites da Starlink.
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