Startups unem tecnologias para monitorar incêndios em tempo real
Christian Vosgrau, fundador e CEO da Carbon Exchange | Foto: Divulgação
No combate aos incêndios no campo e na floresta, o tempo de ação é um fator que define o nível do estrago que será causado. Quanto mais cedo se identifica o fogo, maiores as chances de evitar que ele se espalhe, causando danos ambientais e econômicos. Foi pensando nisso que as startups Carbon Exchange e GreenBug decidiram unir suas tecnologias para criar um hardware capaz de monitorar incêndios em tempo real.
Fundada em dezembro de 2023, a Carbon Exchange desenvolveu um dispositivo que detecta fatores como pressão atmosférica, umidade, temperatura e fumaça. Todas essas variáveis ajudam a identificar focos de incêndio. O problema é que, até que haja fumaça ou mudança na temperatura, por exemplo, o fogo já pode ter se alastrado.
Há um ano, a climate tech começou uma parceria com a GreenBug, fundada em 2017, para desenvolver um novo dispositivo. Especializada em bioacústica e monitoramento sonoro, a empresa criou uma solução capaz de captar, processar e interpretar sons em tempo real, mesmo em locais sem acesso à internet ou energia elétrica.
“Hoje conseguimos transformar sons da natureza e do ambiente em inteligência operacional. O dispositivo consegue identificar presença humana, veículos, disparos, atividade animal e outras ocorrências em tempo real”, explica Marcelo Vieira, fundador e CEO da GreenBug.
Juntas, as empresas estão produzindo um hardware que une as tecnologias das duas startups. A previsão é que os testes em campo sejam feitos em setembro e o produto esteja disponível já em 2027.
Equipamento será capaz de identificar fumaça e sons para avisar sobre incêndios | Foto: Divulgação
“O som é mais rápido de detectar do que a fumaça, o que permite uma ação mais rápida. O aparelho que estamos desenvolvendo vai detectar tanto o som, quanto a fumaça. Com isso, será possível não apenas monitorar focos de incêndio, mas saber se o fogo começou por ação humana, através dos sons de conversas e motosserra, por exemplo, ou por fatores ambientais, como um raio”, explica Christian Vosgrau, fundador e CEO da Carbon Exchange.
O projeto também prevê transmissão de dados via satélite e operação contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana. Segundo Christian, os clientes hoje são empresas da iniciativa privada, das áreas de energia e agronegócio, mas a empresa está negociando contratos com prefeituras e o governo federal para a implantação desses aparelhos em áreas de proteção ambiental.
Entre as novidades que as empresas estão testando está um protótipo em que o aparelho fica dentro de um vespeiro falso, com o objetivo de camuflar o dispositivo em áreas de conflito, como aldeias indígenas, por exemplo.
A intenção, de acordo com Christian, é estruturar uma fábrica em Belém (PA) no final do ano. A localização foi pensada pela facilidade de escoamento da produção para outras regiões onde a Carbon Exchange atua, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Para colocar esses planos em prática, a startup está com uma rodada de investimentos aberta, com o objetivo de captar a partir de R$ 5 milhões.
Com esse monitoramento, a Carbon Exchange também pode gerar relatórios de sustentabilidade vitais e auditados ao mercado de Crédito de Carbono e Cédula de Produto Rural Verde (CPR Verde), título de crédito emitido para financiar atividades de conservação e recuperação de florestas nativas e seus biomas.
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