Sue Johnston nunca foi do tipo que gosta de se ver na tela, mas abriu uma exceção para Ann Droid, nova comédia criada por Diane Morgan e Sarah Kendall. Aos 82 anos, a atriz interpreta uma viúva recente cuja rotina muda quando o filho decide lhe presentear com uma companhia inusitada: Linda, um robô humanoide vivido por Morgan.
Ao longo da carreira, Johnston se tornou um rosto muito conhecido do público britânico, passando por novelas, séries de humor e personagens marcantes que a transformaram em uma presença familiar. Ainda assim, a relação com a fama sempre foi ambígua. Em vez de glamour, ela já falou sobre o peso de ser reconhecida de repente e sobre a dificuldade de lidar com a exposição.
Essa tensão entre visibilidade e intimidade combina com o clima de Ann Droid, que usa o humor para explorar um tema bastante atual: a solidão na velhice. A presença de Linda, com sua combinação de eficiência mecânica e estranheza emocional, funciona como gatilho para situações cômicas, mas também para reflexões sobre companhia, autonomia e afeto.
Para Johnston, a nova série reforça algo que sempre esteve em seu trabalho: a capacidade de transformar personagens comuns em figuras memoráveis. Desta vez, a atriz entra em cena em uma história que mistura invenção tecnológica e emoções muito humanas, mostrando que, mesmo depois de décadas de carreira, ainda há espaço para surpreender o público.