O consumidor brasileiro pode sentir no bolso os efeitos de um fenômeno que começa a preocupar especialistas em clima e energia: um eventual "super El Niño" em 2027 tem potencial para encarecer as contas de luz em até 4,5%, segundo projeções da Ampere Consultoria em parceria com a TR Soluções. O estudo revela que, mesmo no cenário mais conservador — sem considerar o impacto das bandeiras tarifárias —, o aumento médio para consumidores de baixa tensão já chegaria a 2,1%.
A explicação está na dependência histórica do sistema elétrico nacional em relação à hidrologia. O Brasil ainda abastece boa parte de sua matriz com usinas hidrelétricas, e o El Niño, quando se manifesta em sua versão mais intensa, altera o regime de chuvas em vastas regiões do país, pressionando os reservatórios para baixo. Com menos água disponível, o sistema recorre a fontes termelétricas — mais caras e poluentes —, o que inevitavelmente eleva o custo de geração repassado ao consumidor final.
O cenário mais preocupante do estudo prevê o acionamento das bandeiras tarifárias vermelhas entre julho e outubro de 2027, justamente o período de estiagem mais crítico em regiões estratégicas para a geração de energia. As bandeiras vermelhas são cobranças adicionais na fatura que sinalizam ao consumidor a situação de estresse do sistema elétrico — e representam um custo extra que se soma à tarifa base já reajustada.
Para as famílias e pequenos negócios, a combinação de tarifa mais alta com acréscimo de bandeira pode significar um impacto relevante no orçamento, especialmente em um contexto em que a energia elétrica já representa parcela significativa dos custos fixos domésticos e empresariais. Especialistas recomendam que consumidores comecem desde já a avaliar medidas de eficiência energética — como substituição de equipamentos antigos, uso de tecnologia LED e investimento em geração solar — como forma de se proteger de possíveis altas tarifárias.
Vale lembrar que as projeções são baseadas em modelos probabilísticos e dependem de como o fenômeno climático efetivamente se desenvolverá nos próximos meses. Contudo, o alerta serve como sinal importante para que governo, agências reguladoras e consumidores se preparem com antecedência, evitando que a conjuntura climática seja transformada em crise energética sem resposta à altura.
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