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Tarifaço dos EUA livrou as ações de frigoríficos, mas agro segue em alerta para a XP: qual papel está em risco com o Trump?

Redação Recifes
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Tarifaço dos EUA livrou as ações de frigoríficos, mas agro segue em alerta para a XP: qual papel está em risco com o Trump?
Foto: Fuka jaz / Pexels

Depois de tanto ameaçar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, Donald Trump tirou o discurso do papel e anunciou a nova cobrança nesta semana. Mas com a pressão de empresários norte-americanos, o presidente dos Estados Unidos isentou a importação de uma série de itens importantes para a economia dos EUA, principalmente do agronegócio brasileiro.

Entre os produtos isentos estão a carne bovina, o café e o suco de laranja, por exemplo.

Se por um lado isso gerou alívio para as empresas exportadoras desses produtos em um primeiro momento, os analistas da XP recomendam que essas companhias durmam de olho aberto.

Frigoríficos estão livres, mas nem tanto

Em relação aos papéis de frigoríficos, como é o caso de JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), a equipe de análise não enxerga mudanças materiais no curto prazo.

Afinal, com a carne bovina livre das tarifas adicionais, o percentual cobrado no setor permanece inalterado em 26,4%.

Mas ainda assim a corretora prefere ter um pé atrás. O motivo é a possibilidade de mudança de ideia por parte do governo norte-americano.

“Os Estados Unidos ainda dispõem de outros mecanismos para restringir importações, incluindo medidas ligadas a questões ambientais e de desmatamento. Não podemos descartar a possibilidade de futuras restrições específicas para a carne bovina”, afirmam os analistas.

Por enquanto, os analistas seguem monitorando o setor e têm recomendação de compra somente para as ações da JBS.

Nos cálculos da corretora, o preço-alvo para o papel JBSS32 é R$ 89. Em relação ao fechamento desta sexta-feira (17), o potencial lucrativo chega a 47,8%.

Mas se no caso dos frigoríficos o tarifaço surge apenas como uma eventual possibilidade a ser monitorada, já uma outra ação do agronegócio está mais no olho do furacão, de acordo com os analistas...

Mudança mais estrutural assusta esta empresa

Segundo os analistas, o cenário do tarifaço dessa vez é um pouco diferente da outra implementação de tarifas de Trump.

Apenas para recapitular: em julho do ano passado, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma série de tarifas para diferentes países. Na época, os produtos brasileiros receberam uma tarifa de 50%, que foram suspensas em fevereiro de 2025 pela Suprema Corte dos EUA.

Para a XP, a diferença entre o que aconteceu no ano passado e as novas tarifas de 2025 é a percepção que o mercado havia de que as anteriores seriam temporárias, o que se concretizou em fevereiro.

Agora, os analistas acreditam que as medidas atuais refletem uma mudança mais estrutural e duradoura, o que pode prejudicar especialmente a Jalles (JALL3), na visão da XP.

Produtora e exportadora de açúcar e etanol, a Jalles está em um setor com bastante demanda. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol do Brasil no ano passado. O valor total foi de US$ 163 milhões — cerca de R$ 835 milhões no câmbio atual.

Trata-se do segundo maior destino do etanol brasileiro, perdendo apenas para a Coréia do Sul.

Segundo a Unica, o açúcar já estava passando por restrições para entrar nos Estados Unidos, e as novas tarifas “desconsideram importantes assimetrias no comércio bilateral”.

Para a XP, a Jalles pode ter uma pressão maior tanto no curto prazo quanto no longo.

De imediato, a empresa pode lidar com um cenário mais desafiador de repasse de preços, enquanto no longo prazo pode perder espaço no mercado norte-americano por outros produtores se tornarem mais competitivos.

Ainda que a XP recomende a compra das ações JALL3, com potencial de alta de até 102%, os analistas agora estão mais cautelosos. Para a equipe, “há espaço limitado para uma resolução de curto prazo, especialmente considerando a sensibilidade política do tema em um ano eleitoral”.

Por que as novas tarifas foram aplicadas?

Na noite de quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou que aplicará sobretaxas a produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. 

A Seção 301 é um mecanismo que permite ao USTR investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. 

A medida, que passa a valer a partir da próxima quarta-feira (22), alcança milhares de produtos como calçados, vestuário, máquinas agrícolas e industriais, papel, aço e equipamentos elétricos. 

Ainda assim, foi mantida uma lista com mais de 2 mil exceções, entre elas, café, carne bovina, produtos agropecuários, petróleo, celulose, aeronaves, componentes aeronáuticos, medicamentos e terras raras.  

O novo tarifaço é resultado de uma investigação feira pelo USTR, que acusa o Brasil de práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — como o Pix —, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. 

Trump também se queixa de benefícios dados pelo Brasil a parceiros comerciais como Índia e México, sem conceder os mesmos termos a produtos norte-americanos, o que cria condições desvantajosas. 

O governo brasileiro classificou a medida como injustificada e afirmou que pode recorrer da decisão na Organização Mundial de Comércio (OMC) e com instrumentos da Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo a retaliar países ou blocos que adotem barreiras ou tarifas unilaterais contra produtos brasileiros. 

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Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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