O setor de transporte de cargas e logística afirmou nesta quarta-feira (22) que vê com "muita preocupação" os desdobramentos tarifaço imposto pelos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump. Para Paulo Afonso Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (Fenatac), a medida dos EUA tem mais caráter político do que econômico. Ele também avaliou que, se o Brasil responder na mesma moeda, a "situação pode piorar".
Entenda o contexto
Lustosa participou nesta quarta-feira, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), de reuniões com integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva, entre eles o chefe do MDIC, Márcio Elias Rosa. Em entrevista após o encontro, o presidente da Fenatac disse que a melhor saída para o Brasil é buscar a negociação diplomática e comercial, evitando medidas espelhadas de reciprocidade. "O setor de transporte é uma atividade meio, uma ligação entre o setor industrial, que produz, e quem consome. Então na medida que a carga reduz, o nosso setor sofre", afirmou Lustosa.
Questionado sobre a possibilidade de o Brasil adotar medidas de retaliação e aplicar tarifas recíprocas contra produtos norte-americanos, o presidente da Fenatac alertou para os riscos de uma escalada na crise comercial. Segundo ele, agir da mesma forma que os EUA pode agravar o conflito e piorar ainda mais a situação das empresas brasileiras. Em vez de uma resposta agressiva, Lustosa defende um canal permanente de diálogo entre o governo federal e o setor produtivo nacional para buscar uma solução negociada.
Embora o setor ainda não conte com números consolidados sobre o prejuízo financeiro ou o volume total de redução no fluxo de fretes, o presidente da entidade destacou que os efeitos práticos da medida já começam a ser sentidos de forma imediata na cadeia logística.