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Techfin: como o conceito está mudando o mercado financeiro

Redação Recifes
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Techfin: como o conceito está mudando o mercado financeiro

*Ticiana Amorim é CEO e fundadora na Aarin, a techfin do Grupo Bradesco

Com o avanço da tecnologia, muitos setores do mercado adotaram a inteligência artificial para dar mais praticidade e segurança em seus negócios, como o de finanças. Segundo dados da consultoria Gartner, cerca de 59% dos líderes financeiros globalmente já integraram IA em suas operações cotidianas, impulsionando um mercado global de inteligência artificial que projeta investimentos de US$ 2,52 trilhões. Assim, o conceito de techfin trouxe muitas mudanças, permitindo que as empresas ofereçam os serviços financeiros voltados para outras (B2B).

Diante desse cenário, em vez de atuar como instituições bancárias ou focar no consumidor final, essas organizações fornecem a infraestrutura que permite a qualquer negócio integrar pagamentos, crédito e gestão econômica diretamente em sua operação. Dessa forma, enquanto a fintech leva a tecnologia até o banco, a techfin leva o banco até onde o cliente já trabalha ou consome.

O impacto do Embedded Finance no mercado

As transformações trazidas por essas ferramentas possibilitam o fornecimento de bases (APIs e sistemas) para que companhias de varejo, saúde e agronegócio ofereçam seus próprios serviços financeiros sem precisar de licenças bancárias. Atuando de forma quase invisível para o usuário, surge um fenômeno conhecido como Embedded Finance (Finanças Embutidas): ao invés de o cliente sair do sistema que usa para gerenciar sua empresa e abrir o aplicativo para pagar um fornecedor ou pedir um empréstimo, ele faz tudo dentro da mesma plataforma de tecnologia que já utiliza no dia a dia. Isso descentraliza o poder dos bancos tradicionais.

Com isso, podem oferecer também soluções customizadas, entregando ferramentas altamente especializadas para automatizar rotinas corporativas, otimizar fluxo de caixa e facilitar conciliações ao invés de produtos genéricos. Além disso, fazer o uso de decisões baseadas em dados profundos e fornecidos pelos próprios clientes corporativos facilita a criação de um crédito de forma mais ágil, segura e inteligente. Tudo isso permite que as empresas e consumidores sejam melhor atendidos e que cada caso seja tratado de forma exclusiva.

Para as empresas, o modelo techfin também inaugura novas linhas de receita, nas quais além de cobrar pela licença do software (SaaS), a empresa ganha com taxas de transações, juros de empréstimos, etc. Por sua vez, o atendimento exclusivo pode levar à fidelização do público. Isso porque quanto mais serviços um usuário utiliza dentro de uma plataforma, mais difícil (e custoso) é ele migrar para um concorrente.

Com relação aos clientes, especialmente empresas PMEs, por ser um software de gestão, a ferramenta sabe exatamente quanto aquele negócio fatura, gasta e vendeu no último mês. Isso permite oferecer crédito sob medida, mais barato e com menos burocracia do que um banco tradicional exigiria. Além disso, pode oferecer uma maior eficiência operacional, uma vez que utiliza menos tempo pulando de uma aba para outra e tudo é resolvido em uma única tela.

Desafios e segurança digital

Porém, para funcionar perfeitamente, o mercado enfrenta barreiras complexas. O setor financeiro é um dos mais vigiados do mundo. As empresas precisam aprender a lidar com regras rígidas de lavagem de dinheiro, segurança cibernética e proteção de dados (como a LGPD) e operar em parceria com BaaS (Banking as a Service). Contudo, centralizar a gestão do negócio e o dinheiro no mesmo lugar exige uma segurança digital impecável. Além disso, os consumidores mais antigos possuem receio em deixar o dinheiro da empresa sob os cuidados de um “software” em vez de uma instituição com agências físicas.

Por fim, a ascensão das techfins redefine o mercado financeiro ao transformar produtos bancários em utilidades invisíveis e totalmente integradas à rotina das empresas. Ao unir a inteligência de dados operacionais à oferta de crédito e serviços diretamente onde o cliente já trabalha, esse modelo não apenas desafia o sistema bancário tradicional, mas também entrega maior eficiência. Assim, o grande diferencial competitivo já não é mais quem possui a maior instituição, mas sim quem detém a melhor jornada digital e a relação mais próxima com o dia a dia do usuário.

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Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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