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Temporais e TVs: o que realmente coloca seu aparelho em risco durante raios

Redação Recifes
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Temporais e TVs: o que realmente coloca seu aparelho em risco durante raios

Quando o céu escurece e os trovões começam, um reflexo quase automático toma conta de muita gente: desligar a televisão da tomada. É um hábito sensato, mas que cobre apenas uma parte do perigo real. Durante temporais com descargas elétricas, o risco para os eletrônicos da casa vai muito além da rede elétrica convencional — e entender esse mecanismo pode fazer a diferença entre uma TV intacta e um aparelho inutilizado.

Raios são descargas de altíssima tensão que buscam o caminho de menor resistência até o solo. Quando caem próximo a uma residência ou na fiação externa, o surto de energia resultante não respeita fronteiras: ele se propaga por qualquer condutor conectado ao ambiente externo. Cabos de antena aberta, conexões de TV a cabo, fios de internet via coaxial ou par trançado e até a rede elétrica doméstica funcionam como verdadeiras rodovias para esse excesso de tensão. Uma TV moderna, cheia de componentes eletrônicos sensíveis como capacitores, circuitos integrados e placas de processamento de imagem, simplesmente não foi projetada para absorver esse tipo de impacto.

O cabo de antena merece atenção especial. Por ser um condutor metálico que se estende até uma estrutura instalada no telhado ou na parte externa do imóvel, ele representa uma das entradas mais diretas para surtos induzidos por raios. O mesmo vale para conexões de operadoras de TV por assinatura que chegam à casa via cabo físico. Dispositivos como roteadores, modems e set-top boxes conectados à TV por HDMI ou USB também entram na equação: um surto que entra pelo cabo de internet pode percorrer toda a cadeia de aparelhos até atingir a televisão, mesmo que ela esteja desligada pelo controle remoto — que, na prática, a mantém em modo de espera, não verdadeiramente desconectada da energia.

Outro ponto ignorado é a chamada indução eletromagnética. Um raio que cai nas proximidades da casa não precisa atingir diretamente a fiação para causar dano: o campo eletromagnético gerado pela descarga pode induzir correntes parasitas nos cabos internos da residência, criando picos de tensão silenciosos o suficiente para não acionar disjuntores, mas destrutivos o suficiente para queimar componentes delicados. Protetores de surto de baixa qualidade — aquelas extensões elétricas mais baratas vendidas em supermercados — frequentemente não oferecem proteção adequada contra esse tipo de evento.

A forma mais eficaz de proteger a TV durante uma tempestade forte continua sendo a mais simples: desconectar fisicamente todos os cabos — elétrico, de antena, de internet e de qualquer outro periférico — e aguardar a tempestade passar. Para quem busca uma solução permanente, no-breaks com supressores de surto de qualidade certificada e a instalação de para-raios adequados no imóvel, feita por profissional habilitado, são os caminhos mais seguros. Tecnologia cara se protege com medidas simples; o erro está em subestimar por onde o perigo pode chegar.

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