Tensão na Falha de San Andreas chega ao maior nível em mil anos
Um novo estudo indica que a Falha de San Andreas e a Falha de San Jacinto atingiram níveis de tensão inéditos em mil anos. O cenário aumenta a possibilidade de um grande terremoto na Costa Oeste dos Estados Unidos.
Embora o resultado chame atenção pelo potencial de risco, os pesquisadores reforçam que não é possível prever quando um terremoto vai acontecer. O trabalho ajuda a entender melhor os cenários possíveis e a apoiar o planejamento de prevenção, explica o New Atlas. O comportamento do sistema ainda não é totalmente previsível.
Estudo indica que a região não sofre uma grande ruptura desde 1857, mantendo o sistema sob alta tensão. – Imagem: John Dvorak/iStock
O ponto mais sensível do sistema
Entre as conclusões do estudo, uma das mais importantes envolve a região de Cajon Pass, que pode funcionar como um “portão sísmico”. Esse ponto seria capaz de bloquear ou permitir que uma ruptura se espalhe entre as falhas de San Andreas e San Jacinto.
O que mais chama atenção é que esse mecanismo depende do alinhamento da tensão entre os dois sistemas. Em certos momentos, ele pode conter a ruptura. Em outros, permitir que ela avance de forma conjunta.
É justamente esse comportamento que chamou atenção dos cientistas.
Nossos resultados mostram que os níveis de tensão em vários segmentos das falhas estão agora iguais ou acima dos valores mais altos observados no último milênio e que a região pode estar sujeita a uma grande ruptura contínua que envolva ambos os sistemas de falhas.
Liliane Burkhard, pesquisadora associada do Instituto de Geofísica e Planetologia do Havaí e autora principal do estudo, em nota.
Os principais pontos do estudo são:
Os níveis de tensão estão entre os mais altos já registrados em mil anos de análise.
Cajon Pass pode atuar como ligação entre as falhas em determinados cenários.
Mais de 160 anos se passaram desde a última grande ruptura na região.
Por que a pressão continua crescendo
As placas tectônicas se movem continuamente ao longo da Falha de San Andreas, avançando entre 2,5 e 5 centímetros por ano. Parece pouco, mas esse deslocamento constante, quando bloqueado pelo atrito entre as placas, faz a pressão se acumular lentamente ao longo de décadas.
Em certos momentos, esse bloqueio se rompe de forma súbita, liberando uma grande quantidade de energia. É isso que dá origem aos terremotos sentidos na superfície.
O comportamento do sistema ainda não é totalmente previsível. Os cientistas explicam que, como não houve uma liberação significativa dessa tensão desde o terremoto de Fort Tejon, em 1857, a região segue sob alta pressão acumulada.
“Esta não é uma previsão de quando um terremoto acontecerá. No entanto, estudos como este representam contribuições importantes para a pesquisa nacional e global sobre riscos sísmicos, pois utilizamos ciência quantitativa rigorosa para compreender melhor o risco enfrentado por milhões de pessoas”, afirmou Burkhard.
A pesquisa não prevê quando ocorrerá um terremoto, mas ajuda a entender cenários de risco na Costa Oeste dos EUA. – Imagem: Dimitrios Karamitros/Shutterstock
O que o estudo realmente indica
Os pesquisadores reforçam a diferença entre prever um evento e avaliar riscos. Os modelos utilizados ajudam a simular cenários possíveis, mas não permitem determinar quando um grande terremoto ocorrerá.
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Um ponto importante destacado pelo estudo é que o sul da Falha de San Andreas não passa por uma grande ruptura desde 1857. Esse longo intervalo sem liberação significativa de energia reforça a necessidade de monitoramento constante da região.
No fim, a pesquisa mostra que entender o comportamento dessas falhas é essencial para reduzir riscos e melhorar a preparação em áreas mais vulneráveis da Califórnia.
O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Geophysical Research: Solid Earth.
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