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Teoria que abalou a cosmologia acaba de sofrer um forte revés

Redação Recifes
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Teoria que abalou a cosmologia acaba de sofrer um forte revés
Foto: Felix Mittermeier / Pexels

Uma nova pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Southampton concluiu que não há evidências de que a expansão do Universo esteja perdendo velocidade. O trabalho contesta um estudo divulgado em novembro de 2025, que colocava em dúvida um dos principais métodos usados pela cosmologia para medir distâncias no espaço.

A nova investigação foi publicada em julho de 2026 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e sustenta que as correções adotadas há anos pelos pesquisadores já compensam o efeito apontado pelo estudo anterior. Com isso, a aceleração da expansão do Universo permanece como a explicação mais consistente com as observações disponíveis.

A discussão gira em torno das supernovas do tipo Ia, fenômenos utilizados como referência para calcular distâncias entre galáxias e estimar a evolução do cosmos. Segundo os autores, o suposto problema identificado pelo grupo sul-coreano decorre de uma interpretação que desconsidera ajustes já incorporados às análises modernas.

Correções conhecidas reforçam método usado pela cosmologia

As supernovas do tipo Ia surgem em sistemas binários compostos por uma estrela comum e uma anã branca. À medida que esse remanescente estelar acumula matéria da estrela vizinha, sua massa aumenta até atingir um limite crítico, desencadeando uma explosão de brilho extremamente intenso.

Como esses eventos apresentam luminosidade previsível após ajustes específicos, eles são empregados como referência para estimar distâncias astronômicas. Esse procedimento é essencial para calcular a taxa de expansão do Universo e integra um dos pilares da cosmologia observacional.

Em novembro de 2025, um grupo de pesquisadores da Coreia do Sul argumentou que a idade da anã branca influenciaria o brilho dessas explosões de forma suficiente para comprometer esse método. Caso essa hipótese estivesse correta, a interpretação dos dados indicaria que a expansão do Universo estaria desacelerando, e não acelerando.

O novo estudo rejeita essa conclusão ao afirmar que essa influência já é considerada por meio de uma correção relacionada às características da galáxia hospedeira da supernova. Os autores explicam que esse ajuste acompanha, de forma indireta, a idade das estrelas envolvidas, reduzindo justamente o efeito apontado pelo trabalho anterior.

Ao comentar os resultados ao IFLScience, o pesquisador Brodie Popovic, da Universidade de Southampton, afirmou que a inclusão desse ajuste praticamente elimina o argumento apresentado pelo estudo sul-coreano.

Apenas incorporando essa correção de massa, que utilizamos há cerca de 15 anos, conseguimos explicar praticamente toda a argumentação deles. Estou bastante confiante em nossos resultados.”

A controvérsia ganhou força porque os autores da pesquisa anterior associaram suas conclusões a outro resultado recente, obtido pelo Dark Energy Spectroscopic Instrument, que sugeriu a possibilidade de a energia escura perder intensidade ao longo do tempo.

Conforme explicou Popovic ao IFLScience, diferentes modelos cosmológicos ainda podem ser compatíveis com essas observações, mas o conjunto de evidências disponível continua favorecendo o modelo cosmológico padrão. Para ele, será necessário analisar os dados completos antes de qualquer mudança de interpretação sobre o comportamento do Universo.

O físico Adam Riess, vencedor do Prêmio Nobel, também defendeu cautela ao avaliar conclusões que desafiam o entendimento atual da cosmologia. “Afirmações extraordinárias exigem testes especialmente cuidadosos. Quando calibramos essas supernovas levando em conta diferentes ambientes e populações estelares, as evidências da aceleração cósmica permanecem notavelmente consistentes.”

Segundo o artigo, pesquisas anteriores lideradas por Riess já haviam mostrado que diferentes métodos para medir a expansão do Universo podem ser combinados, reduzindo o impacto de eventuais limitações presentes em uma técnica isolada.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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