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Tesouro escondido: o Google está olhando com bons olhos para… o lixo!

Redação Recifes
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Tesouro escondido: o Google está olhando com bons olhos para… o lixo!
Foto: viresh studio / Pexels

O Google e pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) estão desenvolvendo uma forma de transformar smartphones descartados em infraestrutura de computação.

A iniciativa, chamada de phone cluster computing, consiste em recuperar as placas-mãe de celulares antigos — que concentram processador, memória e armazenamento — e agrupá-las em clusters para uso como plataforma de computação de propósito geral.

O projeto tem uma meta concreta: um data center construído com dois mil smartphones Google Pixel, com previsão de entrar em operação no outono de 2026 (segundo o calendário estadunidense). O Google descreve essa implantação como equivalente a cerca de 50 servidores convencionais, a uma fração do custo habitual.

O problema que o projeto do Google tenta resolver

Mais de cinco bilhões de celulares foram descartados em 2022, segundo o WEEE Forum. Boa parte desses aparelhos vai para aterros sanitários com processadores ainda funcionais. Usando uma estimativa de consumo médio sustentado de 3,2 W por SoC e aplicando o dado de cinco bilhões de aparelhos descartados naquele ano — com chips produzidos majoritariamente antes e por volta de 2022 —, o cálculo aponta para cerca de 16 GW de capacidade de processamento descartada.

Mesmo que apenas metade dos aparelhos tivesse processadores funcionais, o total chegaria a 8 GW. Para comparação, o Meta Hyperion, uma das maiores iniciativas planejadas de data centers multiunidades do mundo, tem como meta cerca de 5 GW de capacidade.

Os autores ressaltam que esses números são estimativas teóricas e que as realidades são mais complexas do que os cálculos sugerem.

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Do outro lado, a indústria de tecnologia projeta gastar mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) em infraestrutura de IA apenas em 2026. A fabricação de semicondutores é um dos processos industriais mais complexos e intensivos em energia do mundo, com emissões projetadas para atingir 277 milhões de toneladas métricas de CO₂ equivalente até 2030.

Projeto visa data center construído com dois mil smartphones Google Pixel – Imagem: Reprodução/Google

Como o processo do Google funciona

Cada smartphone é desmontado até restar apenas a placa-mãe. Tela, bateria, chassi, câmeras e demais componentes específicos do aparelho são removidos;

A placa-mãe sozinha responde por cerca de 40% do carbono incorporado de um celular — isto é, as emissões geradas durante a fabricação do aparelho;

Ao recuperar essa placa, o projeto aproveita um componente que já quitou seu custo ambiental de produção, sem exigir a fabricação de novo hardware;

No lado do software, o Android é substituído por uma distribuição Linux de propósito geral;

O sistema original é orientado a dispositivos de consumo, não a cargas de trabalho em nuvem;

A troca permite que o cluster funcione de forma mais próxima a uma infraestrutura de computação convencional e remove proteções necessárias em um celular pessoal, mas desnecessárias em ambiente de nuvem.

Desempenho: o que os testes mostram

O Google afirma que o desempenho single-thread de núcleos modernos de smartphones pode ser equivalente ou superior ao desempenho por núcleo de servidores multicore modernos. Em testes com benchmarks SPEC, os núcleos grandes de um Pixel Fold de 2023 superaram o núcleo base de um servidor ASUS RS720A-E11 em vários casos.

Isso não significa que um celular equivale a um servidor. Um servidor convencional tem muito mais núcleos, mais memória, maior largura de banda, melhor I/O e hardware projetado para operação contínua em data centers.

Um smartphone, por contraste, tem um conjunto heterogêneo de núcleos e tipicamente entre 8 e 12 GB de memória. A estratégia do projeto é identificar cargas de trabalho que se encaixem nessas limitações ou que possam ser divididas entre muitos nós pequenos.

Aplicação inicial e incógnitas do projeto

O alvo inicial da UC San Diego é computação educacional e de pesquisa. Segundo o Google, um cluster de 20 celulares consegue suportar o pico de submissões de uma turma com mais de 75 alunos, com latência de avaliação inferior à do backend padrão da AWS. Com dois mil aparelhos, a universidade espera suportar cerca de 100 turmas desse tipo simultaneamente.

O projeto é descrito explicitamente como um testbed para computação baseada em smartphones em escala. A confiabilidade é uma das grandes incógnitas: celulares de consumo não foram projetados para operar continuamente, sem interrupção, por anos. As taxas de falha de placas-mãe reaproveitadas em uso contínuo ainda são desconhecidas, e descobri-las faz parte do experimento.

Outros desafios em aberto incluem o trabalho de desmontar celulares em volume com segurança, remover baterias e componentes inadequados ao ambiente de data center, e determinar se toda a cadeia pode se tornar economicamente viável além de uma demonstração de pesquisa. As respostas devem começar a surgir quando a implantação entrar em operação. O post Tesouro escondido: o Google está olhando com bons olhos para… o lixo! apareceu primeiro em Olhar Digital.

Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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