O teste do pezinho é uma das primeiras proteções de saúde na vida de um recém-nascido, mas a versão ampliada do exame ainda não está disponível de forma igualitária no SUS em todo o Brasil. Na prática, isso significa que a chance de identificar cedo algumas doenças raras continua dependendo do lugar onde a criança nasce.
A experiência da jornalista Larissa Carvalho ilustra esse problema. Em 2015, após o nascimento do filho Theo, ela recebeu o resultado do teste básico oferecido pela rede pública e acreditou que estava tudo certo. Quase dois anos depois, veio a descoberta de uma doença rara que não havia sido rastreada no exame disponível naquele momento.
O diagnóstico tardio trouxe consequências graves e permanentes: a demora no início do tratamento levou a uma lesão cerebral irreversível. Histórias como essa reforçam a importância de ampliar o rastreamento neonatal, já que muitas doenças, quando identificadas cedo, permitem intervenção rápida e melhor qualidade de vida.
Embora a ampliação do teste do pezinho tenha avançado na legislação e no debate público, a implementação no SUS segue mais lenta do que a necessidade das famílias. Para especialistas e entidades de saúde, o desafio agora não é apenas aprovar a expansão, mas garantir estrutura, financiamento e organização para que o exame chegue de fato a todos os bebês do país.