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Thriller 'Strung' tenta juntar suspense e melodrama, mas perde o ritmo

Thriller 'Strung' tenta juntar suspense e melodrama, mas perde o ritmo

Em "Strung", Malcolm D. Lee volta a um terreno em que sabe se mover com fluidez: o entretenimento popular de ritmo acelerado e vocação para o exagero. Aqui, ele acompanha Laila, uma violinista clássica interpretada por Chloe Bailey, que sonha com uma vaga na filarmônica da cidade enquanto aceita um trabalho temporário como professora de música. O que poderia ser um drama de ascensão profissional logo toma a forma de thriller, com escolhas ruins, suspeitas e uma sensação crescente de que tudo está prestes a sair do eixo.

O problema é que o filme quer abraçar muitas ideias ao mesmo tempo. Há ambição artística, frustração pessoal, perigos domésticos e uma escalada de tensão que pede sempre mais reviravoltas. Em vez de consolidar esse conflito, o roteiro vai acumulando situações até deixar a narrativa com cara de história expandida demais para o formato de longa-metragem. O resultado é uma obra que parece correr para caber em si mesma.

Mesmo assim, "Strung" não é um fracasso sem graça. Em meio ao excesso, surgem lampejos de diversão de baixo orçamento, especialmente quando o filme assume sem pudor seu tom de suspense descontrolado. É nessa zona entre o exagero e a autoparódia involuntária que ele encontra alguma personalidade, ainda que de forma irregular.

No fim, o longa deixa uma impressão curiosa: quer ser ao mesmo tempo sofisticado e popular, sombrio e espalhafatoso, psicológico e sensacionalista. A mistura nem sempre funciona, mas revela uma aposta clara em fazer barulho. Se o filme escorrega mais do que sustenta, pelo menos faz isso com energia suficiente para prender a atenção por alguns momentos.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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