Em Toy Story 5, a Pixar troca a segurança da nostalgia por uma questão muito atual: o que acontece com os brinquedos clássicos quando a atenção das crianças é disputada por uma tela? Ao colocar um tablet no centro do conflito, o filme transforma a tecnologia em personagem e também em argumento.
O embate entre Woody, Jessie e Buzz e o novo objeto de desejo não funciona apenas como uma briga entre “velho” e “novo”. Ele espelha uma mudança real no jeito como as crianças brincam, aprendem e se distraem. Hoje, a imaginação concorre com interfaces cada vez mais sedutoras, capazes de concentrar histórias, jogos e estímulos em um único aparelho.
Esse movimento diz muito sobre a própria franquia. Desde o primeiro filme, Toy Story fala sobre afeto, pertencimento e passagem do tempo. Agora, a série atualiza esse tema para uma era em que a tecnologia deixou de ser pano de fundo e passou a organizar a rotina doméstica, a formação do gosto e até a forma como se conta uma história infantil.
Ao apostar nessa disputa, a Pixar não parece interessada em demonizar a tecnologia, mas em observar seu impacto com mais ambiguidade. O resultado é um capítulo que tenta manter vivo o encanto dos brinquedos tradicionais enquanto reconhece que a infância contemporânea já acontece em outro cenário, mais híbrido, mais digital e muito mais dependente de telas.