O polo sul da Lua voltou ao centro da corrida espacial, desta vez por um motivo menos visível do que crateras e sombras permanentes: o subsolo. Um estudo publicado em 31 de julho de 2026 na revista Science Advances indica que tremores lunares e outras vibrações podem ajudar a localizar depósitos de gelo enterrados em regiões onde a luz do Sol jamais chega.
A ideia parte de um princípio conhecido na geofísica terrestre: ondas sísmicas se comportam de forma diferente conforme atravessam materiais distintos. Em ambientes lunares, isso significa que um terreno seco e solto tende a responder de um jeito, enquanto camadas com gelo misturado ao regolito podem alterar a velocidade e o padrão de propagação dessas ondas, deixando pistas sobre o que existe abaixo da superfície.
Esse tipo de leitura é especialmente interessante nas crateras permanentemente sombreadas do polo sul, áreas que mantêm temperaturas baixíssimas e são consideradas os melhores candidatos para preservar água congelada por longos períodos. Se houver gelo ali, ele pode representar uma fonte estratégica para futuras missões: água potável, oxigênio e até combustível, reduzindo a dependência de suprimentos enviados da Terra.
O estudo reforça uma mudança importante na exploração lunar: em vez de depender apenas de imagens de órbita e medidas indiretas da superfície, os cientistas começam a olhar para o comportamento interno do terreno. Ainda assim, a interpretação de sinais sísmicos em um ambiente tão extremo continua exigindo cautela. Confirmar a presença de gelo em profundidade vai depender de medições adicionais e, no limite, de missões capazes de tocar o solo e testar o subsolo diretamente.
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