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Trump é processado por vender acesso antecipado a posts do Truth Social

Redação Recifes
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Trump é processado por vender acesso antecipado a posts do Truth Social
Foto: Allen Beilschmidt sr. / Pexels

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi processado nesta quarta-feira (12) por uma organização de mídia e uma entidade sem fins lucrativos que tentam impedir a operação de novo serviço do Truth Social que vende acesso antecipado às publicações do presidente.

A ação foi apresentada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Manhattan e argumenta que as publicações de Trump em sua própria rede social frequentemente movimentam os mercados financeiros por trazerem anúncios sobre políticas governamentais, ações militares e outras decisões do governo.

O processo afirma que Trump cobra US$ 100 mil por mês (cerca de R$ 519 mil) pelo acesso antecipado a anúncios oficiais do governo publicados no Truth Social, plataforma de mídia social que pertence ao presidente.

“O presidente Donald Trump está cobrando US$ 100 mil por mês pelo acesso antecipado aos seus anúncios oficiais do governo no Truth Social, a plataforma de mídia social que ele possui”, afirma a ação.

Os autores do processo classificam o esquema como “extraordinário, corrupto e inconstitucional” e afirmam que não existe interesse legítimo em permitir que Trump obtenha lucro com a venda de informações governamentais.

A ação foi movida pelo The Intercept Media, organização de notícias, e pela Freedom of the Press Association, entidade sem fins lucrativos.

Serviço vende acesso antecipado a publicações

  • A ação questiona o serviço chamado Truth API, que, segundo os autores, viola a Primeira e a Quinta Emendas da Constituição dos Estados Unidos ao conceder aos assinantes acesso privilegiado às declarações públicas de Trump mediante o pagamento de valores considerados “excessivos”;
  • A empresa responsável pelo Truth Social, a Trump Media, anunciou em julho que ofereceria aos assinantes que pagassem até US$ 100 mil por mês (cerca de R$ 519 mil) acesso antecipado a publicações de Trump e de outras pessoas que utilizam a plataforma e que tenham potencial para movimentar os mercados;
  • Trump é o maior acionista da Trump Media por meio do Donald J. Trump Revocable Trust;
  • Atualmente, segundo o processo, o Truth API fornece aos assinantes acesso mais rápido às publicações das dez contas mais populares do Truth Social;
  • Depois de Trump, a lista inclui a própria Casa Branca, o vice-presidente JD Vance, o diretor do FBI Kash Patel, a secretária de imprensa da Casa Branca Karoline Leavitt, o secretário de Transportes Sean Duffy e o secretário de Saúde e Serviços Humanos Robert Kennedy.

Processo acusa Trump de lucrar com informações do governo

Os autores da ação afirmam que o serviço cria uma situação em que Trump pode obter benefício financeiro ao fornecer informações governamentais com potencial de movimentar os mercados a pessoas e empresas dispostas e capazes de pagar por elas.

“Esse esquema é profundamente corrupto”, afirma o processo. “O presidente pode obter ganhos financeiros ao fornecer informações governamentais ‘capazes de movimentar o mercado’ àqueles que estão dispostos e têm condições de pagar à sua empresa pessoal.”

Segundo a ação, desde que voltou à Presidência, em janeiro de 2025, Trump publicou entre nove mil e 11 mil posts no Truth Social.

Muitas dessas publicações, segundo os autores, não têm um anúncio correspondente imediato da Casa Branca. Por isso, argumentam que, em determinadas situações, as publicações de Trump são a única maneira de obter determinadas informações oficiais do governo.

Por enquanto, a Casa Branca não se manifestou.

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Trump Media diz que diferença é de milissegundos

Durante uma teleconferência sobre os resultados trimestrais realizada na segunda-feira (10), o CEO da Trump Media, Kevin McGurn, afirmou que o Truth API fornece feeds em formato legível por máquinas com publicações públicas do Truth Social, provenientes das principais contas da plataforma, em questão de milissegundos.

“Nossos clientes receberão as publicações divulgadas e disponíveis publicamente uma fração de segundo mais rápido”, afirmou McGurn.

O executivo também disse que a Trump Media já havia firmado mais de dez contratos com clientes para o Truth API. Segundo ele, os acordos geralmente ficam na faixa de US$ 60 mil a US$ 100 mil por mês (cerca de R$ 312 mil a R$ 519 mil).

McGurn afirmou ainda que a empresa mantém negociações com grandes provedores de serviços de computação em nuvem, algumas organizações de notícias e desenvolvedores de grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) interessados no serviço.

Segundo o CEO, a próxima fase do API deverá ampliar a distribuição para terceiros. “Olhando para o futuro, esperamos que a próxima fase da API inclua uma distribuição mais ampla para terceiros, por exemplo, feeds de notícias, terminais de dados financeiros e publicações especializadas, o que acreditamos que dará mais visibilidade a esse negócio ao longo do tempo”, disse.

Outros integrantes do governo também são citados

Além de Trump, a ação inclui como réus a assistente executiva do presidente, Natalie Harp, e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Dan Scavino. Ambos são conhecidos por publicar no Truth Social em nome do presidente. Também foram incluídos no processo o Escritório Executivo do Presidente e o Escritório da Casa Branca.

A ação busca impedir a operação do Truth API, sob a alegação de que a venda de acesso antecipado a informações governamentais cria uma vantagem para quem pode pagar pelo serviço e permite que Trump obtenha ganhos financeiros por meio de sua empresa enquanto ocupa a Presidência dos Estados Unidos.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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