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Tubarões, adrenalina e sobrevivência: 'Deep Water' mergulha fundo no cinema-catástrofe

Redação Recifes
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Tubarões, adrenalina e sobrevivência: 'Deep Water' mergulha fundo no cinema-catástrofe

Existe um tipo de prazer quase culpado em assistir a um bom filme-catástrofe: aquela mistura de tensão genuína, alívio cômico involuntário e a satisfação de ver personagens improváveis tomando decisões ainda mais improváveis sob pressão extrema. Deep Water, dirigido por Renny Harlin — o cineasta finlandês que já nos deu clássicos do gênero como Cliffhanger e Die Hard 2 —, abraça essa fórmula com consciência plena e entrega um espetáculo aquático que não finge ser mais do que é.

A premissa é direta: um avião comercial americano cai em pleno oceano e os sobreviventes se veem ilhados em destroços, sob o sol escaldante e rodeados por tubarões cada vez menos pacientes. O elenco reúne nomes familiares do circuito hollywoodiano — não exatamente astros de primeira linha, mas rostos reconhecíveis o suficiente para criar aquela cumplicidade necessária antes de começarmos a torcer (ou não) por cada um deles. Harlin conhece bem essa dinâmica e usa o tempo de apresentação dos personagens com economia, sem grandes pretensões dramáticas, mas com eficiência narrativa.

O que diferencia Deep Water de tantos outros filmes do subgênero 'tubarão assassino' é o cuidado com o ritmo. Harlin alterna entre momentos de silêncio tenso — onde qualquer sombra sob a água vira ameaça — e explosões de ação que não dão ao espectador tempo para respirar. A fotografia explora bem a dualidade entre a superfície luminosa e o abismo escuro logo abaixo, criando uma sensação constante de que o perigo existe tanto no que se vê quanto no que permanece oculto.

O filme dialoga com predecessores óbvios, de Tubarão (1975) a The Shallows (2016), sem esconder as referências — mas tampouco se limita a copiá-las. Há aqui uma dose generosa de schadenfreude, esse prazer estranho em ver personagens fictícios sofrerem situações absurdas, que é marca registrada do cinema-catástrofe bem executado. Deep Water sabe que parte do público veio para isso, e entrega sem julgamentos.

No fim, o que Renny Harlin oferece é exatamente o que está na embalagem: suspense, caos controlado e a satisfação primária de um gênero que, quando bem executado, não precisa de desculpas. Deep Water não vai ganhar prêmios de roteiro, mas vai prender você na poltrona — com a sensação incômoda de não querer colocar os pés na água tão cedo.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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