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Uber compra Delivery Hero por US$ 14,8B — e Prosus vende sua parte

Redação Recifes
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Uber compra Delivery Hero por US$ 14,8B — e Prosus vende sua parte

É consolidação do delivery que chama? A Uber fechou um acordo para comprar a alemã Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões (€ 12,9 bilhões), oferecendo € 41,50 por ação aos acionistas. Na prática, o desembolso será de US$ 13,7 bilhões, já que a americana vinha acumulando cerca de um quarto das ações da empresa, com a compra mais recente em maio.

No deal, quem tira o seu time de campo é a Prosus. A gigante sul-africana, que controla o iFood no Brasil e é dona de 16,8% da Delivery Hero, se comprometeu a vender toda a sua fatia à Uber dentro da oferta. O movimento não é só oportunismo de saída: faz parte dos compromissos que a Prosus assumiu com a Comissão Europeia ao comprar a Just Eat Takeaway por € 4 bilhões, que exigiram um corte significativo na sua posição na rival alemã.

O desmonte já vinha em curso: a Prosus vendeu 4,5% à própria Uber em abril e outra fatia à Aspex Management em maio, até chegar aos 16,8% que agora entrega na oferta.

Uma gigante de 99 países

O negócio combina o Uber Eats com as marcas da Delivery Hero em 99 países, incluindo o foodpanda, na Ásia, o PedidosYa, na América Latina, e o talabat, no Oriente Médio. Juntas, as operações somaram US$ 236 bilhões em pedidos em 2025.

Mas há um detalhe nisso tudo: a Uber não vai levar as operações da Delivery Hero em 14 países onde já é forte, como o Glovo, em Portugal e na Espanha, o foodora, na Noruega e na Suécia, e o Yemeksepeti, na Turquia. Essas marcas serão compradas por US$ 1,6 bilhão pela SSW Partners, gestora de private equity de Nova York.

A divisão tem um motivo claro: é uma medida de segurança para evitar que a Uber domine esses mercados e acenda o alerta dos reguladores de concorrência.

A onda que não para

O acordo é mais um lance na corrida por escala e consolidação que tomou conta do setor desde que a bolha do delivery da pandemia murchou. Com custos operacionais pesados, a lógica virou “crescer ou ser engolido”: no ano passado, a americana DoorDash comprou a britânica Deliveroo por £ 2,9 bilhões, e a própria Prosus levou a Just Eat Takeaway.

“O negócio de delivery é altamente competitivo e dependente de escala. É desafiador construir a partir de uma base europeia”, admitiu Kristin Skogen Lund, presidente do conselho da Delivery Hero, ao apoiar a venda.

Do lado da compradora, a matemática é de cross-sell: com o negócio, a Uber passa a oferecer mobilidade e delivery juntos em 58 mercados (ante 34 hoje) e, segundo a empresa, quem usa os dois serviços gasta três vezes mais no app. “Ao unir nossas plataformas, vamos levar entregas acessíveis e confiáveis a muitos milhões de pessoas em algumas das economias mais dinâmicas do mundo”, afirmou o CEO Dara Khosrowshahi.

A Uber promete manter a sede da Delivery Hero em Berlim, não mexer no quadro de funcionários até pelo menos 2029 e investir € 2 bilhões na Alemanha nos próximos cinco anos. O fechamento está previsto para o segundo semestre de 2027.

Quem não estará lá para ver é o fundador Niklas Östberg, que criou a empresa em 2011, a levou à bolsa de Frankfurt em 2017 e, pressionado por investidores ativistas, concordou em deixar o comando em maio.

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Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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