A Comissão Europeia abriu uma investigação para apurar se a Sanofi ultrapassou os limites da concorrência ao promover sua vacina contra gripe, a Efluelda, com uma campanha que teria colocado a Fluad, da australiana CSL Seqirus, em desvantagem diante de profissionais de saúde na Alemanha e na França.
Segundo a apuração de Bruxelas, a suspeita é de que a farmacêutica francesa tenha usado mensagens enganosas para sugerir que o produto rival era inferior ou enfrentava objeções científicas relevantes, mesmo quando recomendações oficiais de vacinação apontavam em outra direção. A autoridade europeia também vê indícios preliminares de posição dominante da companhia em mercados relevantes.
O caso é sensível porque vai além de uma disputa comercial comum: envolve a credibilidade de orientações médicas e a confiança do público em campanhas de imunização. Para a União Europeia, esse tipo de prática pode configurar abuso de poder de mercado e abrir espaço para sanções pesadas, caso as suspeitas sejam confirmadas.
Do ponto de vista financeiro, a investigação adiciona um novo foco de risco para a Sanofi. Além da possível multa, há o impacto reputacional, que pode afetar relações com governos, médicos e distribuidores em um segmento em que confiança e regulação pesam tanto quanto a eficiência comercial.