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Um “fóssil cósmico” pode mudar o que sabemos sobre o Universo

Redação Recifes
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Um “fóssil cósmico” pode mudar o que sabemos sobre o Universo
Foto: Stephen Leonardi / Pexels

Um novo levantamento de estrelas da Via Láctea trouxe uma pista importante sobre a idade do Universo. A análise de mais de 155 mil estrelas antigas encontrou um resultado próximo da previsão de que o cosmos tem cerca de 13,8 bilhões de anos.

O estudo, liderado por Indranil Banik, da Universidade de Portsmouth, também lança luz sobre a chamada tensão de Hubble, uma diferença que intriga astrônomos há anos.

Estrelas funcionam como registros do passado cósmico

A pesquisa usou estrelas antigas como uma espécie de arquivo natural da história do Universo. A lógica é parecida com a dos fósseis: quanto mais antigo é um registro encontrado, mais informações ele traz sobre períodos distantes.

A equipe investigou a tensão de Hubble, nome dado à diferença entre duas formas de calcular a expansão do Universo. Uma delas usa a radiação cósmica de fundo, considerada um vestígio do Big Bang. A outra utiliza medições feitas na vizinhança cósmica, com estrelas Cefeidas e supernovas.

A diferença entre os resultados chega a aproximadamente 9%. Enquanto o modelo cosmológico padrão ΛCDM aponta uma idade próxima de 13,8 bilhões de anos, cálculos baseados nas medições locais sugerem um Universo mais jovem, entre 12,5 bilhões e 12,9 bilhões de anos.

“Também podemos alcançar isso estudando as estrelas galácticas mais antigas, que servem como antigos ‘fósseis’, contando a história do Universo”, escreveram os pesquisadores.

Mais de 155 mil estrelas entraram na análise

Para chegar à estimativa, os cientistas avaliaram inicialmente 247.103 estrelas subgigantes observadas pelos levantamentos LAMOST e Gaia. Depois de uma seleção que eliminou estrelas fora do padrão esperado para objetos antigos, restaram 155.600 estrelas para a análise final.

Os principais resultados foram:

  • A estrela mais antiga identificada tem aproximadamente 13,73 bilhões de anos;
  • A margem de incerteza calculada é de cerca de +0,18 e -0,15 bilhão de anos;
  • O resultado coincide com estimativas anteriores baseadas em estrelas antigas e aglomerados globulares;
  • A idade encontrada é compatível com a previsão feita a partir da radiação cósmica de fundo.

Descoberta favorece uma explicação mais recente para o problema

Apesar do avanço, os próprios pesquisadores apontam que ainda existem fatores capazes de afetar a precisão do resultado, como o tamanho da amostra, os modelos usados para estudar estrelas, o tempo de formação estelar e as previsões teóricas.

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Mesmo assim, a estimativa encontrada é mais próxima do modelo tradicional do Universo do que dos cenários que propõem mudanças na expansão cósmica desde os primeiros momentos após o Big Bang.

Os cientistas avaliam que a tensão de Hubble pode estar ligada a fenômenos mais recentes, como alterações na expansão nos últimos bilhões de anos ou efeitos locais, incluindo a possibilidade de uma grande região com menor concentração de matéria.

“Juntos, esses resultados sugerem uma solução tardia para a tensão de Hubble”, explicaram os autores. “Outra possibilidade é que a tensão de Hubble seja causada por uma grande subdensidade ou vazio local.”

O estudo não encerra a discussão sobre a evolução do Universo, mas adiciona uma nova evidência de que a idade do cosmos pode realmente estar próxima dos 13,8 bilhões de anos previstos pelo modelo cosmológico padrão.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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