Uma das principais construtoras da bolsa brasileira conquistou os analistas do BTG Pactual para além das perspectivas financeiras: a Cury (CURY). Se a ação já chamava a atenção dos investidores por conta do crescimento de lucros e dividendos elevados, há mais um motivo para ter o papel no radar: o potencial lucrativo ligado a princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança, no português).
O papel faz parte do levantamento feito pelo Seu Dinheiro das carteiras mensais de ESG do BTG Pactual, Itaú BBA, XP Investimentos e BB Investimentos.
No mês de julho, a única alteração foi a entrada da Cury entre as indicações do BTG. Os demais portfólios não tiveram movimentação no mês de julho.
Entre as ações queridinhas que dividem o pódio de mais recomendadas para buscar lucros com ESG estão a B3 (B3SA3), Itaú (ITUB4) e Localiza (RENT3).
Veja as recomendações das quatro instituições financeiras:
A nova estrela entre as carteiras de ESG
A Cury (CURY3) foi incluída na carteira do BTG para substituir a ação da Orizon (ORVR3), que havia sido recomendada no último mês.
Na visão do banco, “a Cury oferece uma combinação atrativa de crescimento dos lucros e dividendos elevados, sustentada pelo forte momento do programa Minha Casa, Minha Vida e pela excelente execução operacional apresentada pela companhia nos últimos anos”.
Embora as ações tenham sofrido queda de 7% no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026, no dia 8 de julho, os analistas do BTG enxergam uma velocidade de vendas atrativa e uma boa geração de caixa na companhia.
O otimismo do banco está relacionado principalmente aos incentivos do Minha Casa, Minha Vida.
Com as mudanças recentes, que elevaram o teto de renda do programa para R$ 13 mil e o preço dos imóveis para até R$ 600 mil, a Cury pode se beneficiar a partir do aumento do universo de potenciais compradores que agora se enquadram no subsídio.
E para o banco, o próprio negócio da Cury também favorece a empresa do ponto de vista de ESG, mais especificamente no âmbito social da sigla.
O BTG enxerga um propósito da construtora de ampliar o acesso à moradia no Brasil, o que contribui para reduzir o déficit habitacional.
Outro destaque de sustentabilidade da construtora é a gestão de resíduos nos canteiros de obras, defendem os analistas. A empresa adota práticas de segregação, reaproveitamento e destinação adequada de materiais.
O objetivo da companhia, segundo relatório de sustentabilidade mais recente, é atingir 100% dos canteiros com planos estruturados de resíduos.
Mas para além das iniciativas de ESG, o BTG enxerga um potencial lucrativo na ação, o que também motivou a escolha do papel para entrar na carteira.
O banco estima um forte crescimento dos lucros para a Cury em 2026. Para os investidores, a expectativa é de que a ação entregue um retorno de até 31%, com base no preço-alvo de R$ 44 e na cotação do último fechamento (14).
Mas além do potencial de valorização, há também a perspectiva de dividendos. O banco defende que os acionistas podem receber proventos de cerca de 8% neste ano.
“Apesar da pressão de curto prazo dos custos de construção, entendemos que a companhia continua oferecendo uma combinação atrativa de crescimento dos lucros e dividendos elevados”, destacam os analistas.
Além de Cury: quais são os papéis mais recomendados?
Embora a Cury seja a novidade entre os portfólios em julho, ela recebeu somente uma recomendação, a do BTG. Já os papéis com mais indicações são o Itaú (ITUB4), Localiza (RENT3) e B3 (B3SA3).
Itaú (ITUB4)
No caso do “bancão”, a ação ITUB4 faz parte dos portfólios do BB Investimentos, BTG e XP.
Os analistas ressaltam a atenção do Itaú pela meta de se tornar neutro em carbono até 2050 e incentiva novos parceiros e fornecedores a neutralizar as emissões. Nas iniciativas sociais, destacam o relacionamento com clientes e o compromisso com a educação financeira.
Além dos quesitos ESG, a recomendação do BB Investimentos é baseada, segundo os analistas, “no bom momento operacional, qualidade dos ativos, eficiência elevada e previsibilidade dos resultados”.
B3 (B3SA3)
Já para a B3, a dona da bolsa de valores brasileira, a XP Investimentos destaca a recuperação gradual do mercado de capitais, o que impulsiona as receitas da bolsa de valores com maiores volumes de negociação. Também há a possibilidade de distribuições extraordinárias de juros sobre capital próprio (JCP).
Na agenda de ESG, a corretora defende que “a B3 tem buscado a liderança na agenda de sustentabilidade”.
Entre os destaques, a empresa aumentou a oferta de serviços ESG como o lançamento da plataforma ESG Workspace, que reúne dados e indicadores do setor, criou um hub de educação que chama a atenção no quesito social e tem maioria independente no conselho de administração.
Localiza (RENT3)
A Localiza tem passado por um ano difícil na bolsa. Desde o início de 2026, o papel RENT3 acumula queda de 6,8%. Segundo o BTG, essa desvalorização é reflexo de uma queda nos preços dos veículos usados e no crédito automotivo.
Ainda assim, essa correção não reflete uma piora nos fundamentos da empresa. O banco destaca um forte crescimento dos lucros na companhia, melhora dos retornos e nível de preço atrativo para as ações.
Nos princípios ESG, a locadora de carros chama a atenção com uma forte governança corporativa, bom relacionamento com clientes e funcionários, além de iniciativas de sustentabilidade como lavagem de carros sem água e veículos que podem ser abastecidos com etanol, combustível menos poluente que a gasolina.
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