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Usa minoxidil? Remédio esconde perigo letal para gatos

Redação Recifes
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Usa minoxidil? Remédio esconde perigo letal para gatos
Foto: Ivo Mukkulainen / Pexels

Entre os medicamentos dermatológicos usados por humanos, o minoxidil é um dos com maior potencial de toxicidade para gatos. É o que disse Vanessa Mussupapo, médica dermatologista, em entrevista ao Olhar Digital. Criado na década de 1970 para tratar pressão alta, hoje em dia o medicamento é muito usado em tratamentos de calvície e para estimular o crescimento de pelos faciais, por exemplo.

O minoxidil pode ser usado de forma tópica (loção ou espuma aplicada diretamente na pele) ou oral (comprimido engolido). “O principal risco para os animais ocorre com o minoxidil tópico, que pode permanecer nos nossos cabelos, couro cabeludo, mãos, fronhas, toalhas e outras superfícies”, diz a médica, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP). “Mesmo pequenas quantidades ingeridas ou absorvidas pelos pets podem provocar intoxicação grave.”

Entre os sintomas, estão apatia, vômito e salivação excessiva. Em casos de suspeita de contato, a recomendação é lavar a pelagem do pet com água e sabão neutro (se for seguro) e buscar atendimento veterinário imediatamente. Especialistas alertam: nunca se deve induzir o vômito ou esperar a piora dos sintomas para agir. 

O minoxidil afeta outros pets? A versão em comprimido é segura?

Embora os felinos sejam as principais vítimas, o risco do medicamento não se limita a eles – cachorros também podem acabar intoxicados se entrarem em contato com a substância.

“Os gatos são extremamente sensíveis ao minoxidil porque possuem uma capacidade reduzida de metabolizar e eliminar algumas substâncias químicas, incluindo esse medicamento”, explica a doutora Sylvia Rocha Silveira Pires, médica veterinária da Afya São João del Rei. “Isso ocorre devido à deficiência de determinadas enzimas hepáticas responsáveis pela biotransformação de compostos, fazendo com que o produto permaneça ativo por mais tempo no organismo e cause efeitos tóxicos graves, principalmente no coração e nos pulmões.”

Mesmo uma pequena quantidade pode ser suficiente para provocar intoxicação, seja por contato com a pele, pelos, travesseiros ou pela lambedura após a aplicação do produto.

Sylvia Rocha Silveira Pires, médica veterinária da Afya São João del Rei, em entrevista ao Olhar Digital.

Em relação aos cães, o cenário é parecido. “Eles costumam ser menos sensíveis que os gatos, mas, ainda assim, o minoxidil nunca deve ser considerado seguro para nenhum animal de estimação”, adverte Sylvia.

Para os tutores que não podem (ou não querem) interromper o tratamento contra a calvície, a solução pode estar na mudança do formato do medicamento. Entre a loção tópica e a versão oral (comprimidos), a segunda opção surge como a alternativa mais segura para quem tem animais em casa. 

“Para pacientes com cães ou gatos, especialmente gatos, a substituição do minoxidil tópico pelo minoxidil oral em baixa dose pode ser uma alternativa bastante interessante, desde que haja indicação médica”, diz a médica dermatologista Vanessa Mussupapo.

O minoxidil oral reduz bastante o risco “pois não há resíduo do medicamento sobre a pele ou os fios de cabelo”, explica a dermatologista. Mas ela frisa: “Evidentemente, o comprimido deve ser armazenado em local inacessível aos animais e nunca administrado acidentalmente ao pet.”

No entanto, a migração de “formatos” exige avaliação e prescrição médica. Isso porque, segundo a doutora Vanessa, “o minoxidil oral também possui contraindicações e possíveis efeitos adversos para o paciente”. Entre eles, a dermatologista aponta: “aumento de pelos no corpo (hipertricose), palpitações (coração acelerado), dor de cabeça, tonturas, insônia, retenção de líquidos com inchaço nas pernas e alterações da pressão arterial”.

Finasterida, Aminexil e tratamentos de consultório: como proteger seu animal

Existem outras substâncias usadas no tratamento de alopecia androgenética (a calvície hereditária). Por exemplo: finasterida, dutasterida e aminexil. E, em comparação ao minoxidil, esses princípios ativos são menos tóxicos para pets – principalmente gatos.

“A finasterida e a dutasterida não apresentam o mesmo perfil de toxicidade aguda”, diz a doutora Mussupapo. “Embora qualquer medicamento possa causar problemas se ingerido por um animal, não existem evidências de que pequenas exposições ambientais representem um risco comparável ao do minoxidil. O principal cuidado continua sendo evitar a ingestão direta dos comprimidos pelos animais.”

Sobre o aminexil, a médica dermatologista diz que a substância “não apresenta, até o momento, o mesmo potencial de toxicidade grave descrito para o minoxidil em cães e gatos”. “Não há evidências de que pequenas exposições representem o mesmo risco de insuficiência cardíaca e edema pulmonar observado com o minoxidil.”

Ainda assim, por precaução, qualquer produto capilar deve ser mantido fora do alcance dos animais e o contato direto deve ser evitado, já que faltam estudos específicos sobre sua segurança em pets.

Vanessa Mussupapo, médica dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), em entrevista ao Olhar Digital.

Para os tutores que preferem eliminar a presença de loções capilares dentro de casa, o mercado dermatológico oferece procedimentos feitos exclusivamente em consultório. A médica dermatologista lista:

  • Microagulhamento: Procedimento que aplica fatores de crescimento ou medicamentos específicos direto no couro cabeludo para aumentar a densidade capilar;
  • Laser de baixa intensidade (LLLT): Tecnologia focada na melhora da espessura dos fios e da densidade capilar;
  • Sistemas de Laser (Er:YAG e Nd:YAG): Atuam na bioestimulação do couro cabeludo para o fortalecimento folicular;
  • Infiltrações intralesionais: Aplicações de medicamentos indicadas para cenários específicos, como a alopecia areata;
  • Mesoterapia: Técnica injetável que introduz ativos de eficácia conhecida (como a dutasterida ou o próprio minoxidil) diretamente na derme capilar, sem deixar resíduos externos na pele ou nos fios do paciente;
  • Transplante capilar: A alternativa definitiva para a restauração de áreas calvas já estabilizadas.

A médica veterinária Sylvia Pires acrescenta a seguinte observação: “A principal orientação é que tutores de gatos informem ao médico e ao médico veterinário que convivem com felinos antes de iniciar qualquer tratamento com minoxidil”. Diante da gravidade dos riscos, a recomendação de alertar os profissionais sobre a presença de animais em casa deve se estender a qualquer abordagem terapêutica capilar.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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