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Usiminas (USIM5) deve sofrer arranhões no 2T26, mas Citi diz que um pilar forte ainda sustenta a compra da ação

Redação Recifes
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Usiminas (USIM5) deve sofrer arranhões no 2T26, mas Citi diz que um pilar forte ainda sustenta a compra da ação
Foto: www.kaboompics.com / Pexels

O balanço da Usiminas (USIM5) pode até trazer alguns arranhões, mas o Citi ainda vê com bons olhos a tese de investimento da companhia. O banco projeta trimestre afetado pela fraqueza da mineração, sobretudo por fretes mais caros e volumes menores, mas com a siderurgia mostrando força suficiente para sustentar a recomendação de compra para as ações.

Em relatório divulgado no domingo (5), o Citi manteve o preço-alvo de R$ 10 para USIM5. Considerando o fechamento de R$ 8,77 da última sexta-feira (3), o potencial de valorização estimado é de 14%.

Com o dividend yield (retorno com dividendos em relação ao preço da ação) esperado de 2,3%, o Citi projeta que o rendimento total ao acionista pode chegar a 16,3%.

Para o segundo trimestre de 2026 (2T26), o banco estima que a Usiminas registre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 685 milhões, o que representa alta de 5% em relação ao trimestre anterior e avanço de 68% na comparação anual.

Além disso, a expectativa dos analistas do Citi é de um trimestre operacional misto.

De um lado, o segmento de mineração deve sofrer com fretes mais caros e queda nos volumes. De outro, a divisão de aço tende a apresentar um desempenho mais resistente, apoiada por uma dinâmica favorável de preços nas principais linhas de produtos e por um mix ainda beneficiado pelas negociações do primeiro trimestre.

Aço deve ser o ponto forte da Usiminas no 2T26

O Citi estima que o segmento de aço da Usiminas registre Ebitda de R$ 605 milhões no segundo trimestre, alta de 11,2% na comparação trimestral e salto de 111% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o banco, o desempenho reflete um ambiente melhor para o setor neste ano. A expectativa é de preços médios mais altos em diferentes produtos, com uma tendência positiva tanto entre clientes de distribuição quanto industriais.

Os volumes, por sua vez, devem ficar em patamar semelhante ao do trimestre anterior, tanto no mercado externo quanto no interno.

O relatório também aponta um ganho residual de mix, embora o setor automotivo tenha tido descontos aplicados nas negociações de abril, o que deve compensar parcialmente os resultados.

O Citi afirma ainda que o ambiente de juros elevados no Brasil ajuda a explicar o crescimento ainda modesto da demanda doméstica por aço, estimado em 1% para o ano.

Mineração deve pesar no resultado

A pressão no balanço deve vir da mineração. Para o segmento, o Citi projeta Ebitda de R$ 79 milhões no 2T26, queda de 29% em relação ao trimestre anterior e de 31% na comparação anual.

Embora os preços do minério de ferro tenham ficado ligeiramente mais altos no trimestre, o banco avalia que a rentabilidade da área será significativamente afetada pela alta dos custos de frete.

A combinação de menores volumes de venda e custos mais elevados deve resultar em um desempenho mais limitado para a mineração.

Para 2027, o Citi passou a trabalhar com uma estimativa de US$ 92 por tonelada para o minério de ferro. Segundo o banco, esse preço compensa parcialmente a expectativa de um volume de mineração um pouco menor no ano.

O banco também revisou para baixo os embarques de minério de ferro no médio e longo prazo, para uma faixa entre 8,5 milhões e 9 milhões de toneladas, principalmente por causa da exaustão de minas e da busca por minério de melhor teor.

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Projeto Musa e fluxo de caixa entram no radar

Na avaliação do Citi, a Usiminas tem uma posição de caixa confortável para direcionar recursos à Mineração Usiminas (Musa), subsidiária da companhia voltada à extração de minério de ferro e considerada seu principal projeto no momento.

Ainda assim, o banco alerta que esse investimento pode reduzir, no curto e médio prazo, o fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) — indicador que mostra quanto caixa sobra na companhia para remunerar os investidores.

O Citi espera que a decisão final de aprovação do projeto, além de um cronograma mais detalhado de investimentos, seja conhecida até o fim do ano.

Para 2027, o Citi reduziu sua projeção de capex (investimentos em bens de capital, como obras, manutenção e expansão de ativos) de R$ 2 bilhões para R$ 1,8 bilhão. Desse total, cerca de R$ 1,2 bilhão deve ir para investimentos em  manutenção e aproximadamente R$ 600 milhões para projetos.

Com a melhora esperada do Ebitda em 2027, o Citi afirma que o fluxo de caixa livre ao acionista também avance, chegando a 5,2%. Ainda assim, o banco projeta uma alta significativa do capex em 2028 por causa de projetos, ainda sem incluir a expansão da Musa.

O relatório também diz que, por ora, o Citi não vê a companhia explorando potenciais benefícios de uma distribuição retroativa de juros sobre capital próprio (JCP), dado o nível de lucro tributável.

Por que o Citi mantém compra para USIM5

Para o Citi, a queda recente das ações da Usiminas está ligada às preocupações do mercado com uma possível defasagem no repasse de preços aos clientes no segundo semestre de 2026. Mas o banco acredita que esses ajustes provavelmente serão adiados para 2027.

Mesmo assim, o Citi avalia que o preço atual da ação ainda não captura totalmente o potencial da siderurgia da Usiminas, especialmente em um cenário no qual os mecanismos de repasse de preços devem se materializar ao longo do tempo.

A convicção do banco está ligada à expectativa de melhora dos resultados do setor com preços mais favoráveis.

Embora o fluxo de caixa livre ao acionista para 2027, de 5,2%, não seja tão atrativo, e existam preocupações sobre os retornos do projeto de expansão da Musa, o Citi afirma que a tese está principalmente na evolução esperada dos preços.

O relatório destaca, em especial, a comparação entre a paridade de importação de produtos de aço plano e outros países asiáticos, excluindo a China.

Segundo o banco, o modelo da Usiminas é altamente sensível a mudanças de preços, com o benefício adicional de uma eventual captura de participação de mercado.

Esse cenário é particularmente relevante diante do possível impacto das medidas antidumping do governo brasileiro sobre HRC (bobinas laminadas a quente), esperadas para o fim do segundo semestre.

Para o Citi, um nível estruturalmente menor de estoques e de penetração de aço importado, que ainda vem sendo consumido, poderia ampliar os efeitos dessas medidas. The post Usiminas (USIM5) deve sofrer arranhões no 2T26, mas Citi diz que um pilar forte ainda sustenta a compra da ação appeared first on Seu Dinheiro.

Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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