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‘Valsa nº 6’ retorna em chave feminista e expõe a violência por trás do mito

Redação Recifes
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‘Valsa nº 6’ retorna em chave feminista e expõe a violência por trás do mito

Quando volta ao palco, “Valsa nº 6” não se limita a revisitar um clássico de Nelson Rodrigues. A montagem atual reposiciona a obra diante de uma leitura mais direta e incômoda: por trás do enigma de Sônia, está a trajetória de uma menina de 15 anos marcada pela violência e interrompida por um feminicídio.

Na interpretação de Carol Costa, a peça deixa de ser apenas um quebra-cabeça de memórias e assume contornos mais duros. A atriz defende que a tradição de tratar o texto como um exercício de mistério muitas vezes apaga seu centro dramático, que é o corpo vulnerado de uma adolescente e a brutalidade do ato que a silencia.

Essa mudança de perspectiva conversa com o presente sem desrespeitar a força original da obra. Em vez de suavizar o texto, a encenação aposta no íntimo, no psicológico e no desconforto, como se aproximasse o público de uma pergunta que costuma ser evitada: o que significa ler Nelson Rodrigues hoje sem esconder a violência que estrutura parte de sua dramaturgia?

Ao recuperar “Valsa nº 6” sob uma chave feminista, a montagem também reacende o debate sobre a recepção de clássicos. Não se trata de atualizar o autor à força, mas de encarar o que a obra revela quando é observada sem eufemismos: uma tragédia sobre memória, desejo, abuso e morte, em que a delicadeza do formato nunca elimina a aspereza do tema.

Artigo originalmente publicado em redir.folha.com.br
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