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Vape e corrida não combinam: o risco invisível que chega às pistas

Vape e corrida não combinam: o risco invisível que chega às pistas

Imagine largar numa prova de 10 km sentindo que os pulmões simplesmente não entregam o que você treinou. Para muitos corredores, essa sensação frustrante tem uma causa que eles raramente associam ao problema: o vape. O cigarro eletrônico deixou de ser novidade e virou rotina em academias, parques e até em grupos de corrida. A aparência discreta, o sabor adocicado e a ausência de fumaça visível criam a ilusão de que se trata de algo inofensivo — mas cardiologistas especializados em tabagismo alertam que essa percepção está colocando uma geração inteira de atletas em risco silencioso.

Do ponto de vista cardiovascular, o vape age de forma parecida com o tabaco tradicional: a nicotina eleva a frequência cardíaca, contrai os vasos sanguíneos e aumenta a pressão arterial. Para quem corre, isso significa menos eficiência na entrega de oxigênio aos músculos, maior esforço cardíaco em ritmos submáximos e recuperação mais lenta entre os treinos. O que diferencia o cigarro eletrônico, porém, é o conjunto de substâncias químicas presentes no aerossol — compostos como acroleína e diacetil, associados a inflamações nas vias respiratórias, além de metais pesados que o organismo simplesmente não foi projetado para processar.

Outro ponto que preocupa especialistas é o perfil do novo usuário. Diferentemente das gerações anteriores, grande parte dos jovens que hoje usam vape nunca fumou um cigarro convencional. Eles chegam ao dispositivo eletrônico sem a barreira psicológica de quem sabe que está fumando. O resultado prático é uma dependência à nicotina que se instala de forma quase imperceptível — e que, dentro de alguns meses, já cobra seu preço na capacidade aeróbica e na qualidade do sono, dois pilares fundamentais para qualquer plano de treino sério.

Para o corredor que busca bater o próximo recorde pessoal, a matemática é simples e cruel: cada tragada compromete a eficiência pulmonar construída com quilômetros de esforço. A capacidade vital, a troca gasosa nos alvéolos e a resposta do sistema imune às inflamações — tudo isso é afetado. Médicos do esporte reforçam que não existe dose segura de nicotina para atletas de endurance, independentemente do formato de entrega: cigarro, vape ou sachê.

O recado para a comunidade de corrida é direto: se você usa vape e sente que o seu desempenho estacionou, que a respiração fica mais pesada nos tiros ou que o coração demora mais para se recuperar, vale uma conversa franca com um médico especializado. Abandonar o hábito traz ganhos mensuráveis já nas primeiras semanas — melhora na oxigenação, redução da frequência cardíaca de repouso e mais disposição nos treinos longos. Um pé na frente do outro começa com pulmões que funcionam de verdade.

Artigo originalmente publicado em saude.abril.com.br
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