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Ventilador no calor extremo pode ser armadilha — entenda quando desligá-lo

Ventilador no calor extremo pode ser armadilha — entenda quando desligá-lo

Num dia sufocante, ligar o ventilador parece um reflexo automático. Mas essa decisão, dependendo das condições ambientais, pode jogar contra o seu próprio corpo. Isso porque o benefício do ventilador não vem do ar frio — ele nem produz ar frio —, mas da aceleração da evaporação do suor na pele. É esse processo evaporativo que gera a sensação de frescor. O problema é que, quando o ar circulante já está mais quente do que a temperatura da pele humana (em torno de 35 °C), o aparelho passa a funcionar como um soprador de calor direto sobre o corpo.

A umidade relativa do ar é um fator decisivo nessa equação. Em ambientes secos, o suor evapora com facilidade, e o ventilador cumpre bem seu papel mesmo com temperaturas elevadas. Já em dias úmidos — comuns em cidades litorâneas brasileiras ou durante períodos de chuva intensa —, a evaporação fica prejudicada porque o ar já está saturado de vapor d'água. Nesse cenário, o fluxo de ar quente e úmido produzido pelo ventilador pode elevar a carga térmica sobre o organismo, exigindo mais do sistema cardiovascular para manter a temperatura corporal estável.

Grupos vulneráveis precisam de atenção redobrada. Idosos, por exemplo, possuem menor capacidade de produzir suor e de perceber o calor com precisão, o que reduz drasticamente a eficiência do resfriamento evaporativo. Pessoas com doenças cardíacas, hipertensão ou que fazem uso de certos medicamentos diuréticos também têm termorregulação comprometida. Para esses grupos, especialistas recomendam desligar o ventilador quando a temperatura ambiente ultrapassa a faixa dos 32 a 35 °C — especialmente se a umidade estiver acima de 60%.

Mas o que fazer quando o ventilador vira inimigo? A alternativa mais eficaz é usar panos úmidos no pescoço e nos pulsos, tomar banhos frios e, se possível, buscar ambientes com ar-condicionado ou lugares naturalmente frescos, como shoppings, bibliotecas e unidades básicas de saúde. Beber água regularmente também é essencial para manter a capacidade de suar — o mecanismo natural de refrigeração do corpo. Em situações de onda de calor extremo, autoridades de saúde de diversos países recomendam que as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis, não fiquem sozinhas em ambientes fechados e sem climatização adequada.

No Brasil, onde o calor intenso já é realidade cotidiana em grande parte do território e as projeções climáticas apontam para verões cada vez mais extremos, entender os limites do ventilador pode fazer diferença real na saúde pública. A tecnologia simples e acessível continua sendo aliada valiosa — desde que usada dentro das condições certas. Fora delas, o melhor mesmo é desligar a chave.

Artigo originalmente publicado em www.newscientist.com
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