A influenciadora Viih Tube e seu marido, o também influenciador Eliezer, chegaram a um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) após polêmica envolvendo o reality show As Patroas, programa que comandavam com participação de funcionários domésticos. O desfecho inclui o pagamento de R$ 350 mil a título de dano moral coletivo e o encerramento do formato que gerou as investigações.
Em vez de se recolher diante da repercussão negativa, Viih Tube adotou uma postura ofensiva — no bom sentido. Nos stories do Instagram, ela declarou que pretende "fazer do limão uma limonada" e anunciou que produzirá uma série de vídeos educativos sobre legislação trabalhista, especialmente voltados para empregadores domésticos. O movimento transforma o passivo jurídico em ativo de imagem, repositionando a criadora de conteúdo como alguém disposta a aprender e ensinar publicamente.
O caso acendeu um holofote importante sobre uma realidade comum no universo dos influenciadores digitais: a linha tênue entre entretenimento espontâneo e relação de trabalho formal. Ao envolver empregados domésticos em gravações que geram receita publicitária, o casal adentrou um território regulado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela legislação específica do trabalhador doméstico, sem os devidos cuidados legais. O MPT entendeu que houve exploração de imagem e trabalho sem o amparo contratual adequado.
Para especialistas em direito do trabalho, o episódio serve de alerta para criadores de conteúdo que monetizam rotinas domésticas. Qualquer pessoa que apareça de forma recorrente em vídeos com finalidade comercial pode, a depender das circunstâncias, ser enquadrada como empregada, independentemente de vínculo formal declarado. A informalidade que caracteriza parte da produção digital não afasta as obrigações previstas em lei.
Do ponto de vista de imagem e negócios, a estratégia de Viih Tube pode ser eficaz: transformar um erro em causa ajuda a reconstruir credibilidade e ampliar o alcance junto a uma audiência que valoriza transparência. O compromisso educativo firmado no acordo, porém, é obrigação legal — e seu cumprimento será monitorado pelo MPT. O mercado de influência observa o desfecho com atenção, ciente de que processos semelhantes podem bater à porta de outros grandes nomes do segmento.