A Visa, uma das maiores empresas de pagamentos digitais do mundo, anunciou nesta terça-feira (28) a redução de aproximadamente 7% de sua força de trabalho, o equivalente a cerca de 2.600 funcionários. Segundo a empresa, a medida faz parte de uma estratégia para tornar a operação mais eficiente e direcionar recursos para áreas consideradas prioritárias.
Os cortes devem atingir principalmente os setores de tecnologia e desenvolvimento de produtos da companhia. A decisão ocorre em um cenário no qual grandes empresas do setor financeiro e de tecnologia buscam reorganizar estruturas internas diante da expansão do uso de inteligência artificial.
A companhia informou que a mudança foi definida após uma avaliação sobre o modelo operacional da empresa. A Visa afirmou que pretende manter o foco em oportunidades de maior potencial de crescimento, enquanto acompanha transformações no mercado de comércio e pagamentos.
Reestruturação envolve tecnologia, produtos e novo direcionamento de investimentos
A decisão foi comunicada internamente pelo presidente-executivo da Visa, Ryan McInerney, em um memorando enviado aos funcionários. O executivo afirmou que a empresa mantém confiança na estratégia adotada e que a reorganização tem como objetivo fortalecer a capacidade de investimento em áreas consideradas mais promissoras.
Em comunicado confirmado pela empresa, McInerney explicou que a Visa precisa continuar modificando sua forma de operação para acompanhar novas oportunidades e mudanças no setor. Ele destacou que a inteligência artificial terá papel relevante nesse processo, principalmente como ferramenta para acelerar transformações internas.
Os cortes fazem parte de uma tendência observada entre grandes companhias de pagamentos e tecnologia. A Mastercard, principal concorrente da Visa, havia anunciado anteriormente uma redução de 4% de sua equipe global, enquanto a Block informou que reduziria aproximadamente metade de seus funcionários.
Apesar da relação com os avanços tecnológicos, a Visa indicou que a inteligência artificial não foi o único fator considerado para a decisão. A tecnologia tem sido utilizada para diminuir tarefas repetitivas e acelerar etapas do desenvolvimento de produtos, mas a empresa também avaliou questões ligadas à eficiência operacional.
A companhia encerrou o ano fiscal de 2025 com aproximadamente 34.100 funcionários, número que representava crescimento de 8% em relação ao período anterior. Mesmo com o corte anunciado, analistas avaliaram que a mudança não representa uma alteração relevante na trajetória da empresa.
Em análise divulgada pelo Evercore ISI, especialistas classificaram a medida como um ajuste de estrutura e custos dentro de uma organização considerada sólida. Para os analistas, a Visa estaria realocando recursos para segmentos com maior potencial de retorno.
O anúncio ocorreu antes da divulgação dos resultados trimestrais da empresa. Nos últimos dois anos, a Visa superou as expectativas de Wall Street em praticamente todos os períodos analisados, com apenas um trimestre apresentando resultados alinhados às projeções dos especialistas.
O desempenho da companhia também tem sido favorecido pela resistência dos gastos dos consumidores. Como sua receita depende do volume de transações processadas e não da concessão direta de crédito, a empresa possui uma estrutura que reduz sua exposição ao risco de inadimplência.
Presente em mais de 200 países e territórios, a rede de pagamentos da Visa é utilizada por bilhões de pessoas em transações cotidianas. A empresa avalia que esse modelo permite maior estabilidade mesmo diante de possíveis desacelerações econômicas.
No mercado financeiro, as ações da companhia avançaram cerca de 1% nas primeiras negociações após o anúncio. O valor de mercado da Visa ultrapassava US$ 683 bilhões, segundo dados citados no relatório da LSEG.
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