Na decisão de 29 de junho de 2026, a Suprema Corte dos EUA impediu Donald Trump de remover imediatamente Lisa Cook do conselho do Federal Reserve. O tribunal entendeu que a governadora tinha direito a garantias processuais antes de qualquer afastamento, preservando sua permanência no cargo enquanto o caso segue em discussão.
O alívio, porém, veio com um efeito colateral importante: no mesmo dia, os ministros aceitaram ampliar a margem do presidente para demitir dirigentes de outras agências independentes. Na prática, isso enfraquece uma barreira histórica construída para proteger órgãos reguladores de pressões políticas de curto prazo.
O contraste explica por que a vitória de Cook não encerra o debate sobre a autonomia da política monetária. A Corte tratou o Fed como uma instituição com desenho institucional singular, mas a decisão deixou claro que a blindagem não vale da mesma forma para boa parte do aparato regulatório dos Estados Unidos. Isso pode encorajar novas investidas do Executivo sobre organismos que supervisionam mercados, trabalho e concorrência.
Para o banco central, o risco é político e também econômico. Trump continua pressionando por juros mais baixos e já mirou outros nomes da cúpula do Fed. Mesmo com Cook mantida no cargo, o recado do tribunal é ambíguo: a independência do Federal Reserve resistiu nesta rodada, mas o ambiente institucional ao redor dela ficou mais frágil.