A XP ampliou o seu arsenal para atendimento a empresas e está colocando na rua um cartão de crédito corporativo e uma maquininha – sim, mais uma no mercado. O objetivo é atender de pequenas a médias empresas que tenham receita de até R$ 500 milhões. As MEIs não fazem parte da estratégia do banco.
De acordo com Phillipe Pellegrino, head da XP Empresas, essa era uma demanda dos clientes e a inclusão dos novos produtos é uma evolução natural da oferta da área, passando de um perfil de cliente mais voltado aos investimentos, que é o tradicional da XP, para um mais transacional. Podendo evoluir, mas adiante, para a oferta de crédito.
As novidades foram adiantadas a jornalistas durante almoço realizado no escritório da XP na Faria Lima, em São Paulo. A apresentação oficial ao mercado será feita durante a Expert, evento anual da XP que acontece entre amanhã (23) e sábado (25) em São Paulo.
A XP lançou sua conta digital para empresas em 2024 e hoje tem 100 mil clientes ativos. Phillipe não quis dar previsões de crescimento ou de tamanho de base que o banco quer alcançar com as novas inciativas. Segundo ele, a base atual será a primeira a ser atendida, mas a ideia é trazer novos clientes tendo com apelo o atendimento pelas 20 assessorias de investimento da rede da XP, sua plataforma de investimentos e os serviços de câmbio.
Hoje o segmento de PMEs é bastante disputado por bancos como Inter e C6. Em julho do ano passado o Itaú anunciou a criação do Emps, uma conta digital gratuita voltada ao público PME.
O Nubank, que com a compra do Porto Real poderá manter o status de banco, também tem sua conta PJ. No lado das fintechs, Conta Simples, Cora, Clara e Stark Bank são alguns dos nomes que atuam no segmento. O potencial do marcado também tem atraído players de mercados adjacentes como Asaas e ContaAzul que incorporaram serviços financeiros aos seus sistemas de gestão.
Segundo Marcela Pinori, vice-presidente de soluções comerciais da Visa, apenas 8% das despesas das empresas brasileiras são pagas em cartão de crédito. Globalmente, o número é ainda menor: 2%. Além disso, um cliente PJ é muito mais rentável, podendo gerar uma receita até 11x vezes maior que um pessoa física, ou cerca de US$ 17 mil.
No lado da adquirência, o mercado endereçável no Brasil é de R$ 4 trilhões em volume total de pagamentos (TPV).
As novidades
O cartão para empresas da XP vem com bandeira Visa e sem anuidade na modalidade Infinte, com benefícios como acesso a salas Vip, concierge, seguro para viagens e bonificação de 1,2% na forma de investimento – o chamado Investback – nas compras. A empresa pode criar até seis cartões adicionais.
O limite de crédito inicial será oferecido na modalidade clean – sem a necessidade de colateral – mediante análise de perfil individual do cliente. Nesse caso, leva vantagem quem já tiver um relacionamento com a casa na pessoa física. O aumento do limite poderá ser feito por meio de investimentos feitos na plataforma da XP.
Ele está em teste está em fase de testes com seis parceiros – sendo dois escritórios de agentes autônomos da rede da XP e quatro clientes – e a previsão é que ele chegue ao mercado em agosto.
Já a adquirência será colocada no mercado em parceria com a Fiserv, usando a plataforma Clover, que une equipamentos de captura de transação e também ferramentas de software para gestão de vendas.
Além da maquininha de cartão tradicional, a Fiserv também tem equipamentos como um quiosque de atendimento e um terminal fixo com tela sensível ao toque. Os equipamentos são produzidos no Brasil, na cidade de Betim (MG). Segundo Ciro Moreira, head de cartões da XP, em um próximo momento a XP pode ir em busca de ter sua adquirência própria.
O Startups apurou que a XP chegou a negociar a compra da fintech Justa, de adquirência, mas perdeu a disputa para o BTG. O anúncio da compra foi feito em julho. Em outubro o BTG apresentou sua maquininha ao mercado.
No caso da XP, a maquininha estará disponíveis a partir de setembro, segundo Felipe França, gerente de produtos da XP Empresas. De acordo com ele, as taxas que serão cobradas dos clientes ainda estão sendo definidas.
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