Quando a programação de um grande festival parece improvável à primeira vista, isso raramente acontece por acaso. Foi com essa ideia que Zé Ricardo explicou a montagem de um dia do Rock in Rio que colocou K-pop e Jamiroquai no mesmo roteiro, apostando em uma combinação capaz de falar com faixas diferentes de público.
De acordo com o vice-presidente artístico da Rock World, a curadoria do evento é construída com precisão, pensando não apenas nos artistas, mas também na forma como cada nome conversa com o restante da escalação. Para ele, o festival funciona como uma sequência de mensagens e sentidos que vão além do cartaz visto pelo público.
Na prática, a estratégia busca evitar que apenas um perfil de frequentador se sinta contemplado. A lógica, segundo Zé Ricardo, é desenhar um dia em que os mais jovens encontrem seus ídolos sem afastar completamente pais e acompanhantes, que também fazem parte da experiência do Rock in Rio.
Essa leitura ajuda a entender por que a programação do festival costuma misturar sonoridades, gerações e atmosferas tão diferentes. Mais do que empilhar atrações, a proposta é montar um ambiente de convivência cultural, em que cada show tenha papel próprio dentro de um desenho maior.