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Zema quer exigir estudo só de homens no Bolsa Família: 'mulheres têm outras atribuições'

Zema quer exigir estudo só de homens no Bolsa Família: 'mulheres têm outras atribuições'
<p>O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, gerou polêmica nesta segunda-feira (22) ao defender, durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, uma mudança nas regras do Bolsa Família que criaria obrigações distintas para homens e mulheres. Segundo ele, se chegar ao Palácio do Planalto, pretende tornar a conclusão dos estudos uma exigência exclusiva para os beneficiários do sexo masculino.</p><p>A justificativa apresentada pelo pré-candidato para essa diferenciação foi direta e gerou reação imediata: 'Eu viso muito os homens, as mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens'. A declaração, feita em um fórum de lideranças empresariais, expõe uma visão de mundo que coloca a mulher prioritariamente no papel doméstico e a exclui de uma política pública de incentivo à educação — na prática, tratando a maternidade e o trabalho não remunerado em casa como impedimento estrutural, e não como desigualdade a ser combatida.</p><p>A proposta vai na contramão de décadas de políticas de inclusão feminina no mercado de trabalho e na educação formal. Dados do próprio Ministério da Educação e de institutos de pesquisa mostram que mulheres em situação de vulnerabilidade social enfrentam barreiras concretas para estudar — justamente por acumularem jornadas domésticas e de cuidado sem remuneração. Isentá-las de uma condicionalidade educacional, portanto, pode soar como pragmatismo, mas também consolida a ideia de que esse papel secundário é natural e imutável.</p><p>A fala de Zema reacendeu o debate sobre o perfil conservador que o pré-candidato vem construindo para sua campanha presidencial. O Novo, partido de matriz liberal-econômica, tenta equilibrar um discurso de eficiência fiscal com posições de costume que dialogam com o eleitorado bolsonarista. A declaração na CNI, diante de empresários, sugere que Zema não vê contradição entre defender a modernização da economia e sustentar uma divisão de gênero que o mundo corporativo, inclusive, tem buscado superar com programas de diversidade e inclusão.</p><p>Críticos já alertam que a proposta, além do viés ideológico, apresenta fragilidades jurídicas, uma vez que políticas públicas federais não podem, em princípio, estabelecer tratamento diferenciado com base em sexo sem fundamento constitucional robusto. O Bolsa Família, redesenhado nos últimos anos, já prevê condicionalidades de saúde e educação para toda a família. A eleição ainda está longe, mas declarações como essa tendem a pautar o debate e revelar, com clareza, o tipo de país que cada candidato imagina construir.</p>
Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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