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Zetta defende aproximação com a Febraban após anos de embates públicos

Redação Recifes
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Zetta defende aproximação com a Febraban após anos de embates públicos

A Zetta, associação que reúne fintechs e surgiu como uma espécie de contraponto à Febraban, federação dos grandes bancos tradicionais, defende hoje maior proximidade institucional com a entidade rival. “A gente precisa cada vez mais se aproximar e estar junto, porque o intuito é o mesmo, no sentido de que queremos um sistema financeiro sólido, seguro e com melhores produtos. Deveríamos manter a competição no nível dos serviços oferecidos pelas empresas e deixar o usuário escolher o que é melhor para ele”, afirma Fernanda Laranja, vice-presidente da Zetta, em entrevista ao Startups.

A declaração contrasta com o histórico recente de atritos públicos entre as duas entidades. Em 2021, a Febraban acusou as fintechs de cobrarem juros mais altos que os bancos tradicionais no rotativo do cartão de crédito, e a Zetta rebateu publicamente a acusação, argumentando que as fintechs têm, em média, juros menor de cartão do que os bancões e pagam mais impostos. Em 2025, a associação voltou a criticar a Febraban, ao afirmar que a defesa da federação ao aumento de tributos sobre fintechs visava restringir a concorrência no setor.

Apesar desse histórico, Fernanda afirma que já existem pautas em que as duas entidades atuam de forma conjunta, como prevenção a fraudes, o programa federal de renegociação de dívidas Desenrola e o crédito ao trabalhador via consignado privado. “Acho que a gente tem tentado trabalhar cada vez mais as convergências e deixar as divergências de lado”, diz.

O tema ganha um contorno adicional com o movimento das próprias fintechs associadas à Zetta. O Nubank, um dos fundadores da associação, anunciou a compra do Banco Porto Real para obter uma licença bancária no Brasil e, no mesmo período, ingressou na Febraban — mantendo, segundo a empresa, sua filiação à Zetta e a outras entidades do setor.

Para Fernanda, o caso ilustra uma tendência natural do setor. “É esperado que as fintechs cresçam e entrem em novos mercados. Naturalmente, elas terão que se adequar às exigências regulatórias do Banco Central (BC), frente ao aumento do número de clientes e do volume transacionado”, afirma.

A executiva enxerga o movimento com bons olhos. “Mantendo a mentalidade favorável à inovação, à competição e à ampliação do acesso financeiro, não vejo problema. Isso permite incluir cada vez mais empresas com perfil inovador nos espaços tradicionais – algo que já pode ser observado nos grandes bancos, que passaram a incorporar mais tecnologia. Tudo isso fortalece a competição no setor e, no fim, quem ganha é o cidadão, com acesso a melhores serviços”, pontua.

O que diferencia uma empresa Zetta

Fundada em 2021 por Nubank e Mercado Pago, a Zetta reúne hoje 35 empresas associadas, entre grandes e pequenas fintechs autorizadas a funcionar pelo Banco Central. Entre os membros estão iFood, PicPay, Neon, Natura Pay e 99Pay, além das fundadoras.

Segundo Fernanda, a organização adota um modelo colaborativo, no qual os associados contribuem diretamente para o trabalho técnico da entidade. “O próprio associado coloca esforço e intelecto. Cada player traz suas dores, perspectivas e visão de mercado, e a gente vai se complementando”, explica a vice-presidente.

Para ela, integrar a Zetta significa compartilhar uma agenda comum. “Um membro da Zetta é uma empresa comprometida com inovação, competição e ampliação do acesso dos brasileiros aos serviços financeiros. São players que, independentemente de terem ou não a licença bancária, entendem que a concorrência resulta em melhores serviços e menores taxas para o consumidor”, afirma.

Agenda regulatória

De acordo com Fernanda, a atuação da Zetta nos últimos meses tem sido predominantemente regulatória, com interlocução direta com o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional. Entre as frentes prioritárias, ela cita o Open Finance, que a associação considera um mecanismo de geração de competição e melhoria de serviços, mas que ainda não atingiu todo o seu potencial.

Segurança e combate a fraudes também aparecem como temas centrais da atuação da Zetta, incluindo discussões sobre a segurança do Pix e o combate à lavagem de dinheiro. “Somos muito favoráveis a essas iniciativas. Existe uma percepção equivocada de que fintechs estariam ligadas a empresas que não são sérias, mas isso não se aplica às instituições reguladas pelo Banco Central”, afirma Fernanda. Ela ressalta que todas as associadas da Zetta são autorizadas a funcionar pelo BC.

Segundo a executiva, o fortalecimento da segurança do sistema financeiro deve permanecer no centro da agenda regulatória. “Os próximos seis meses vão ser muito voltados para a segurança do sistema financeiro como um todo”, diz.

A associação também acompanha de perto a discussão sobre bets junto à Secretaria de Apostas do Ministério da Fazenda, o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, e o crédito consciente, além da evolução da regulação de criptoativos em tramitação no Congresso, incluindo a segregação patrimonial de ativos digitais.

Próximos passos

Questionada sobre o que mais a anima no setor após anos acompanhando a digitalização financeira no Brasil, a VP cita dados de uma pesquisa realizada pela Zetta no ano anterior, segundo a qual 70% dos entrevistados afirmaram ter percebido aumento no acesso e na eficiência dos serviços bancários. Ela também menciona a evolução do Pix e a redução da concentração bancária no país desde a abertura promovida pelo Banco Central. “Ainda é muito concentrado, mas a gente fez um bom trabalho de diminuir essa concentração”, avalia.

Olhando à frente, Fernanda diz esperar que a Zetta amplie sua atuação e represente cada vez mais uma pluralidade de visões dentro do setor. Entre os desafios citados estão o uso de inteligência artificial para geração de bons produtos e análises de clientes, além de manter o equilíbrio entre inovação e segurança nas discussões com o BC. Ela também menciona a evolução do Pix e do Open Finance como agendas prioritárias para os próximos anos.

Para fintechs em estágio inicial que consideram se filiar à associação, Fernanda destaca como principal benefício o acesso a uma rede de relacionamento institucional já consolidada. “A empresa ganha conhecimento ao se aproximar de uma associação técnica, qualificada e próxima de grandes players do setor, incluindo o Ministério da Fazenda e o próprio Banco Central”, pontua.

Segundo a executiva, esse acesso é especialmente relevante para companhias em fase inicial. “Uma fintech nascente ainda não tem esse tipo de relacionamento. Além disso, com o apoio da associação ela passa a contar com uma base de conhecimento jurídico e regulatório que ajuda a orientar o desenvolvimento de seus produtos e a tomada de decisões de forma mais assertiva”, conclui.

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Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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