Um novo relatório da organização Chayn chama atenção para um erro recorrente no combate ao abuso digital: a tendência de reduzir o problema à presença de nudez, quando o ponto central deveria ser o consentimento. Na prática, isso significa que imagens e vídeos compartilhados sem autorização seguem sendo tratados de forma superficial por plataformas e autoridades.
Segundo o estudo, essa lógica deixa muitas vítimas desprotegidas. Quando a resposta institucional se concentra apenas em apagar conteúdo “sensível”, o debate ignora a violência causada pela exposição indevida, pela humilhação pública e pela circulação contínua desse material, que pode se espalhar rapidamente em redes sociais, chats e fóruns.
A Chayn argumenta que empresas de tecnologia precisam adotar mecanismos mais eficazes para identificar, bloquear e remover conteúdo íntimo compartilhado sem permissão, além de oferecer canais de denúncia mais ágeis e acolhedores. Do lado das autoridades, o relatório cobra investigações que levem em conta o impacto da violação de privacidade e a dinâmica de coerção e abuso que costuma acompanhar esses casos.
O tema ganha relevância em um ambiente digital cada vez mais descentralizado, onde a distribuição de imagens pode ocorrer em segundos e alcançar públicos enormes antes que qualquer resposta seja tomada. Para a organização, enfrentar esse tipo de violência exige mudar a pergunta: não se trata apenas do que aparece na imagem, mas de como ela foi obtida, por quem foi distribuída e sem qual autorização.