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Apêndice rompido: o alerta silencioso que pode virar sepse em horas

Redação Recifes
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Apêndice rompido: o alerta silencioso que pode virar sepse em horas

A apendicite costuma ser associada a jovens, mas ela acomete pessoas de todas as idades — e, nos idosos, costuma ser ainda mais traiçoeira. Isso porque, com o envelhecimento, a percepção da dor tende a diminuir e os sintomas clássicos, como aquela dor aguda no lado direito inferior do abdome, podem se apresentar de forma atenuada ou atípica. O resultado é um diagnóstico tardio, que aumenta muito o risco de o apêndice se romper antes de qualquer intervenção.

Quando o apêndice se perfura, bactérias intestinais extravasam para a cavidade abdominal, desencadeando uma peritonite — inflamação grave do revestimento interno do abdome. Se não tratada com urgência, essa infecção pode se disseminar pela corrente sanguínea e provocar a sepse, condição em que o próprio sistema imunológico entra em colapso na tentativa de combater o agente infeccioso. A sepse é uma emergência médica com taxa de mortalidade elevada, sobretudo em pessoas acima dos 60 anos, cujo sistema imune já não responde com a mesma eficiência.

Os sinais que devem acionar o alerta incluem dor abdominal persistente (mesmo que moderada), febre, náuseas, vômitos, rigidez na barriga e piora progressiva do estado geral. Em idosos, confusão mental e queda repentina de pressão podem ser os primeiros indícios de que algo grave está em curso. Diante de qualquer combinação desses sintomas, a orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente — horas fazem diferença quando se trata de perfuração intestinal.

O tratamento da apendicite perfurada exige cirurgia de emergência para retirada do apêndice e limpeza da cavidade abdominal, além de antibióticos intravenosos de amplo espectro. Em casos mais críticos, quando a infecção já comprometeu outros órgãos, o paciente pode precisar ser mantido em coma induzido para reduzir o metabolismo e dar ao organismo condições de se recuperar sob suporte intensivo. A recuperação, nessas situações, pode levar semanas ou meses.

A principal lição que casos como esse deixam é a de nunca minimizar uma dor abdominal que não melhora, especialmente após os 60 anos. Consultas regulares, atenção aos sinais do próprio corpo e acesso rápido a serviços de saúde são ferramentas fundamentais para que condições tratáveis não se tornem ameaças à vida. Na terceira idade, agir rápido não é exagero — é prudência.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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