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Canetas de emagrecimento viram alvo do contrabando e superam cigarros nas fronteiras

Redação Recifes
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Canetas de emagrecimento viram alvo do contrabando e superam cigarros nas fronteiras

O que começou como uma revolução no tratamento da obesidade rapidamente se tornou um problema de segurança pública nas fronteiras brasileiras. As canetas injetáveis para emagrecimento — conhecidas por conter princípios ativos como semaglutida — passaram a figurar entre os itens mais apreendidos pela Receita Federal na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, superando até mesmo os cigarros contrabandeados. Apenas os smartphones aparecem à frente desses medicamentos nas estatísticas de apreensão.

A combinação de alta procura, preço elevado no mercado formal e disponibilidade mais barata no Paraguai criou o cenário perfeito para o comércio ilegal prosperar. Pessoas que buscam atalhos para o emagrecimento acabam expostas a riscos sérios ao adquirir esses produtos fora dos canais regulamentados: sem garantia de cadeia de frio adequada, sem procedência verificada e sem qualquer controle de qualidade, as canetas contrabandeadas podem conter dosagens incorretas, substâncias adulteradas ou simplesmente estar vencidas.

Para os especialistas em saúde do idoso, o cenário é especialmente preocupante. Pessoas acima de 60 anos estão entre as que mais buscam alternativas para controlar o peso, frequentemente motivadas por orientação médica para reduzir riscos cardiovasculares ou aliviar dores articulares. No entanto, o uso de medicamentos sem prescrição e acompanhamento adequado pode desencadear interações medicamentosas graves, episódios de hipoglicemia e perda acelerada de massa muscular — condição chamada de sarcopenia, que representa um dos maiores inimigos da longevidade com qualidade de vida.

Autoridades sanitárias reforçam que esses medicamentos só devem ser utilizados sob supervisão médica, com receita válida e adquiridos em farmácias devidamente registradas na Anvisa. A tentação do preço mais baixo no mercado paralelo não compensa o risco à saúde. Além disso, o consumidor que adquire produtos contrabandeados não tem a quem recorrer em caso de reação adversa, já que o produto não possui registro legal no país.

A mensagem para quem busca envelhecer com saúde é clara: não existem atalhos seguros. O controle de peso sustentável, especialmente na terceira idade, passa por avaliação médica individualizada, alimentação equilibrada e atividade física adaptada — pilares que nenhuma caneta, legítima ou contrabandeada, é capaz de substituir sozinha.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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