🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

Canetas emagrecedoras ilegais: por que idosos são os mais vulneráveis

Redação Recifes
0 visualizações
Canetas emagrecedoras ilegais: por que idosos são os mais vulneráveis

A busca pelo peso ideal nunca foi tão intensa — nem tão perigosa. Nos últimos meses, autoridades sanitárias e médicos especialistas têm emitido alertas sobre o crescimento alarmante do comércio ilegal de medicamentos injetáveis para emagrecimento, popularmente chamados de "canetas". Produtos como a retatrutida, molécula ainda em estágio experimental que sequer possui registro na Anvisa, chegam ao Brasil por rotas de contrabando e são vendidos em grupos de redes sociais, aplicativos de mensagens e até em alguns estabelecimentos comerciais — sem prescrição, sem rastreabilidade e sem qualquer controle de qualidade.

Para a população acima dos 60 anos, o risco é ainda mais grave. Pessoas nessa faixa etária costumam apresentar condições como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças renais e cardíacas, além de fazerem uso de múltiplos medicamentos simultaneamente — situação conhecida como polifarmácia. A introdução de uma substância experimental nesse contexto pode desencadear interações medicamentosas imprevisíveis, quedas bruscas de pressão, alterações na função renal e eventos cardiovasculares sérios. O idoso, em geral, processa os medicamentos de forma mais lenta que adultos jovens, o que eleva a chance de acúmulo tóxico no organismo.

O que torna esse cenário ainda mais preocupante é o apelo emocional que envolve o tema do peso na terceira idade. Muitos idosos enfrentam cobranças estéticas e, principalmente, orientações médicas para reduzir o peso como forma de controlar doenças crônicas. Diante de filas longas no sistema de saúde e do custo elevado dos medicamentos aprovados — como a semaglutida, que pode ultrapassar R$ 1.000 por dose —, a oferta de versões não regulamentadas a preços menores se torna tentadora. Traficantes exploram exatamente essa vulnerabilidade, prometendo resultados rápidos com produtos de origem desconhecida, frequentemente armazenados e transportados fora das condições adequadas de refrigeração.

Endocrinologistas e geriatras são unânimes: nenhum medicamento para emagrecimento deve ser iniciado sem avaliação médica completa, especialmente após os 60 anos. Substâncias ainda em fase de testes clínicos, como a retatrutida, não têm perfil de segurança consolidado nem para adultos jovens saudáveis — quanto menos para idosos com comorbidades. Além disso, produtos contrabandeados podem conter dosagens erradas, contaminantes ou simplesmente não conter o princípio ativo que prometem, tornando-os ao mesmo tempo ineficazes e perigosos.

A orientação das autoridades é clara: desconfie de qualquer oferta de "caneta emagrecedora" fora de farmácias regulamentadas e sem exigência de receita médica. Em caso de dúvida sobre um produto, é possível consultar o portal da Anvisa para verificar o registro e a situação regulatória. O caminho seguro para o controle de peso na terceira idade passa, invariavelmente, por uma equipe multidisciplinar — médico, nutricionista e educador físico —, que avaliará riscos, benefícios e alternativas adequadas a cada história de vida. Saúde não tem atalho; e na terceira idade, cada decisão importa mais do que nunca.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!