Depois de doze meses de governo, a coalizão alemã decidiu apostar em um pacote abrangente de reformas para tentar reanimar uma economia que segue patinando. A estratégia combina medidas para destravar investimentos, simplificar regras e responder a gargalos que têm pesado sobre a atividade no país.
O movimento é também uma tentativa de recuperar iniciativa política. Em vez de ajustes pontuais, a aliança no poder quer vender a ideia de uma virada estrutural, capaz de melhorar a competitividade alemã num cenário de crescimento fraco, custos elevados e pressão sobre setores industriais tradicionais.
A reação, no entanto, foi mista. Parte do meio empresarial vê com bons olhos a disposição de enfrentar problemas acumulados, mas há dúvidas sobre a velocidade de implementação e sobre a capacidade do governo de transformar anúncio em resultado concreto. Entre opositores e setores mais cautelosos da coalizão, o receio é que o pacote fique aquém do necessário.
Na prática, o sucesso do plano dependerá menos da ambição do texto e mais da execução. Se conseguir entregar medidas perceptíveis para empresas e trabalhadores, Berlim pode ganhar algum alívio econômico e político. Caso contrário, o pacote corre o risco de virar mais uma promessa de mudança sem impacto duradouro.