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Do tatame ao prato: as palavras japonesas que viraram parte do dia a dia do brasileiro

Redação Recifes
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Do tatame ao prato: as palavras japonesas que viraram parte do dia a dia do brasileiro

O Brasil abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão, e essa convivência de mais de um século deixou rastros muito além da culinária e das artes marciais. Parte do vocabulário que usamos no cotidiano tem raízes no idioma japonês — e muitos brasileiros simplesmente não sabem disso. São palavras que entraram na conversa informal, no esporte e até na mesa do almoço sem nunca pedir licença.

Os exemplos mais conhecidos são fáceis de identificar: sushi, karatê e judô carregam a sonoridade nipônica na própria pronúncia. Mas há termos menos óbvios que também fizeram essa travessia cultural. A palavra tifu, usada em algumas regiões para se referir a um tipo de febre intensa, veio do japonês. O caolho, expressão popular para quem tem um olho desviado, tem origem controversa, mas parte dos estudiosos aponta influência do termo japonês para olho vesgo. Já o verbo cair em expressões ligadas à colheita de chá tem eco direto nas práticas trazidas pelos imigrantes das fazendas do Vale do Ribeira.

Outro caso curioso é o ió-iô, o brinquedo de madeira ou plástico que sobe e desce num fio. Embora muitos o associem a uma origem filipina ou americana, o objeto foi amplamente difundido no Brasil pelos comerciantes japoneses no início do século XX, e a pronúncia vigente aqui tem forte influência dessa mediação cultural. Da mesma forma, o biombo — aquela divisória dobrável usada para separar ambientes — veio do japonês byōbu, que significa literalmente 'proteção contra o vento'.

Essa incorporação vocabular não é mera curiosidade linguística: ela revela como a imigração japonesa, iniciada oficialmente em 1908 com a chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos, moldou a identidade cultural brasileira de forma profunda e silenciosa. Os descendentes de japoneses, hoje espalhados por todo o país, contribuíram para que essas palavras migrassem do bairro do Liberdade, em São Paulo, para o vocabulário nacional.

A língua é viva e porosa, e o português brasileiro é um dos idiomas que melhor exemplifica essa capacidade de absorver influências sem perder sua identidade. Das palavras de origem tupi às de raiz africana, passando pelas contribuições italianas, alemãs e agora japonesas, o que falamos todos os dias é um mosaico de histórias de encontro — e de respeito entre culturas que decidiram, juntas, construir um país.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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