Em seu terceiro filme, Enola Holmes já não tem a mesma faísca que ajudou a transformar a série em um dos acertos mais populares da Netflix. Millie Bobby Brown continua no centro da trama com presença forte, mas o conjunto soa menos inventivo e mais acomodado do que antes.
A história começa com o casamento de Enola em Malta, interrompido quando Sherlock desaparece. A partir daí, a produção aposta em um tom mais sério, com espaço para temas como machismo e herança colonial, numa tentativa clara de dar mais densidade ao entretenimento juvenil. Nem sempre, porém, essas ideias se encaixam com naturalidade na investigação.
A troca de direção também pesa no resultado. Philip Barantini assume o comando ao lado do roteirista Jack Thorne, dupla que vinha de Adolescence, mas aqui entrega um filme mais contido, com menos energia visual e menos ambição de espetáculo. O elenco de apoio, com Henry Cavill, Helena Bonham Carter e Sharon Duncan-Brewster, ajuda a sustentar o interesse, mas não resolve a falta de pulso do enredo.
No fim, Enola Holmes 3 funciona mais como continuação protocolar do que como expansão inspirada do universo da personagem. Há bons lampejos e algumas escolhas interessantes, mas o saldo é de desgaste. Para uma franquia que nasceu com frescor, a sensação agora é de que a resolução do próximo caso talvez importe menos do que a pergunta sobre quanto combustível ainda resta.